sábado, agosto 27, 2011
"Atrativa, depois repulsiva. Ou vice-versa.
Infelizmente, nunca apenas um dos dois."
"Na intenção negada,
uma vontade contida.
Nos reprimidos verbos,
interpretação e contexto.
No que não dizemos,
a poesia atrevida.
- Tatuei beijos
no corpo do meu subtexto."
"Acordei achando um pecado que certas alegrias nunca reverberem."
"Onde está a sua mão
agora, que eu eu tenho medo?"
"Quando peço verdades,
tu me vens com teus dilemas;
E quando quero discurso,
perpetuas teu silêncio;
Mendigo certezas,
tu me dás estratagemas;
Confusa, contento-me
com o que nem sei se tenho.
Preciso saber,
mas não me queres contar.
Quero entender,
mas não tens explicação.
Inconvicto,
tu me deixas muito solta.
E atormentado pela dúvida,
o meu amor te escapa."
"De meu encontro com todos eles
tiro sempre a mesma lição:
Todo sangue que ferve nas veias hoje
amanhã vira lágrima em erupção."
Ana Paula Mangeon
Olhando fixamente as figuras no monitor, eu repetia para mim mesma que aquele era um pensamento estúpido, mas não houve jeito de me livrar da sensação depreciativa de não servir nem para completar álbum. Uma lágrima me escapou dos olhos e morreu no meu ombro enquanto eu digitava um heheh qualquer.
Desmarquei com os amigos, vesti o pijama. Abri uma garrafa de vinho e acendi um cigarro . A noite estava irremediavelmente perdida.
Agora era reprimir os sentimentos insanos e lidar com a exaustão do meu corpo privado de descanso pelo sono que nunca vem quando deveria.
Eu queria muito ser analfabeta de subtextos, gestos e entrelinhas. Mas o preço que se paga por tentar dominar uma linguagem, é estar condenado a sempre compreendê-la muito bem.
Ana Paula Mangeon
Sinceramente?
Existem horas que parece que tudo o que faço está errado
Nada que eu tento, penso ou faço
agrada ou funciona
Todo dia uma discussão
um desentendimento
uma indecisão
Não sei mais o que fazer, o que pensar
ou como agir
Eu preciso de rumo e não sei onde encontrar
ou como posso começar
Me sinto sem chão,
mas os meus pés estão acomodados
Os dias estão longos,
muito longos
Me sinto só
o tempo todo me sinto assim
E não importa o tamanho da multidão em que eu esteja,
eu sempre estarei só
Esta tudo muito frio aqui dentro
tudo muito machucado
E cada ferida que passa,
Sinto o controle fugindo das minhas mãos
E isso tudo me apavora
Só me resta inventar um lugar para guardar a minha dor,
jogar os meus medos dentro
e nunca mais voltar lá.
quinta-feira, abril 15, 2010
"Só tenha medo de riscos quando estiver desarmado."
Tenório Cavalcanti
"Should I known you'd bring me heartache?
Almost lovers always do"
A Fine Frenzy
"Eu te amo de um jeito tão impossível que é como se eu nem te amasse. E aí eu desencano desse amor, de tanto que eu encano."
Tati Bernardi
"Acredito também que quem traiu uma vez e foi perdoado vai trair de novo. Acredito que aquelas pessoas que vivem falando mal dos outros vão falar mal de você com esses outros."
Brena Braz
"Para quem ama toda atenção é sempre pouca."
Arthur da Távola
"Nada é pouco quando o mundo é o meu."
Fernanda Young
"Vivo cercada de pessoas, mas nunca somos nós mesmos na presença de testemunhas."
Martha Medeiros
"Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não."
Arnaldo Jabour
"Eu sempre achei que avisar as pessoas do que eu sinto fosse me prevenir de mais decepções, mas eu percebi que só me deixa mais vulnerável."
Verônica H.
"O amor não existe, e, se existe, não dura pra sempre. E, se não dura pra sempre, não é amor. E nada dura pra sempre. E então o amor não existe."
Tati Bernardi
"A verdade é que mais cedo ou mais tarde você será traído, porque todo mundo tem medo de viver a entrega. A verdade é que ninguém se entrega porque ninguém se tem."
Tati Bernardi
"Pessoas são interessantes só na minha imaginação. A partir do momento que elas passam a ter vida própria, sinto vontade de jogá-las pela minha janela."
Tati Bernardi
"Atiram a gente nesse mundo, nosso coração sente um monte de coisa desordenada, nosso cérebro pensa um monte de absurdo. E a gente ainda precisa ser superequilibrada para ganhar alguma coisa da vida."
Tati Bernardi
"Você passa a vida cego para poder viver. Porque enxergar tudo de verdade dói demais e enlouquece, e louco acaba sozinho."
Tati Bernardi
"Só enxergo o que eu não posso ter, mas se qualquer dia eu conseguir,
Vai perder a cor, desaparecer, como tudo que me fez feliz"
Leoni
"Tenho quase 30 anos e consegui estragar todos os meus relacionamentos simplesmente porque gostei demais das pessoas."
Tati Bernardi
"Eu gosto das pessoas pelo prazer de gostar e não porque deu tempo de gostar delas."
Tati Bernardi
"Estou morrendo de vontade de ser eu, mas ser eu só tem me feito perder e perder. E eu quero ganhar. Só dessa vez. Chega."
Tati Bernardi
"Te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida. Foda-se esse amor. E foda-se você."
Tati Bernardi
"E ela se despediu de uma felicidade e uma gentileza que existiram apenas na sua emoção. O que já era algo nessa vida chata cheia de gente chata. Alguém que despertava a sua emoção."
Tati Bernardi
"Eu estou tão cansada de assustar as pessoas. E de ser o máximo por tão pouco tempo. E de entregar tanta alma de bandeja pra tanta gente que não quer ou não sabe querer."
Tati Bernardi
"O que definitivamente não dá certo, ao menos para mim, é se apaixonar."
Tati Bernardi
"Eu jamais serei o que eu quero e jamais serei o que eu sou sem precisar disfarçar que quase sou o que eu quero. E cada hora eu quero uma coisa. E no fundo eu não quero porra nenhuma."
Tati Bernardi
"Nessa lista VIP da pior festa do ano só tem o meu nome. E lá vou eu voltar pra mim e esperar algum saudosismo escondida atrás da minha porta, com a arma na mão. A porta com todos os trinquinhos.
O olho mágico vendo o escuro eterno das pessoas que desistem porque até eu mesma sempre desisto."
Tati Bernardi
"É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar." Antoine de Saint-Exupéry
"É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros."Antoine de Saint-Exupéry
"Eu não sei deixar ninguém partir, eu não sei escolher, excluir, deletar. São as pessoas que resolvem me deixar, melhor assim, adoro não ser responsável por absolutamente nada, odeio o peso que uma despedida eterna causa em mim."
Tati Bernardi
"For every piece of me that wants you
Another piece backs away."
James Morrison
"Sejamos diretos para não sermos idiotas: eu te quero. Você me quer? Não sabe? Ah, então vá pra puta que te pariu."
Tati Bernardi
"Odeio não ter um filho da puta nesta terra que sirva para meu namorado."
Tati Bernardi
"Quem caminha só, vai mais rápido. Quem caminha junto vai mais longe."
Autor?
"São tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ele, são tristes as noites que cumprem a promessa."
Tati Bernardi
"Eu sofro sendo assim, eu sofro porque, quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho."
Tati Bernardi
"E quando o telefone não toca, eu já não me preocupo. Faço um café com leite. Abro um livro. E quando a saudade aperta, um escrevo uma bobagem e dou um sorriso."
Ana Paula Mangeon
"E por que vendo tanto meu corpo e tão pouco minha alma? Porque quero ver você comprando o que realmente quer e não enganando querer para levar a promoção."
Tati Bernardi
"Passo metade do dia odiando minha vida e querendo ser sugada pela minha própria insignificância. A outra metade passo rindo do quanto sou dramática e exagerada."
Tati Bernardi
"It's like ten thousand spoons when all you need is a knife"
Alanis Morissette
"No amor, não ter é o único jeito de não perder, minhas meninas.
Resignada, eu sei que é assim que tem que ser. "
Ana Paula Mangeon
domingo, janeiro 11, 2009
Ana Paula Mangeon
?…
Aquela a mão que trouxe
Tornou-se a palma que empurra.
E o braço retraído que antes, rejeitou
É o mesmo que , fraternalmente
me amortece a queda.?
Eu sempre amo anjos tortos
Anjos caídos, anjos banais.
Eu amo sempre anjos enrustidos
Que me amam em bondades sazonais.
Amo também demônios canibais
De salivas peçonhentas e secreções febris
E pobres diabos, submissos e leais
Resignados com os seus remorsos servis.
Porém, o que nessa vida mais amo
O que mais venero e o que mais cortejo
É a humanidade inóspita do ser humano
Quando há de escolher entre razão e desejo
O ser humano, pleno de seus problemas
No desafogo, quando a alma não se consola
Morde a mão que lhe apazigua seus dilemas
Beija a boca, que cospe e que desola
Eu sempre amo anjos de humores lábeis
Hora cândidos, hora veementes
E amo anjos de vaidades frágeis
Que conforto, em meus braços inconsistentes.
E, por fim, amo -como tanto amor eu ouso?-
Homens. E lhes amo, com tanta voracidade
que lhes largo a casca na ilusão do repouso
enquanto carrego suas almas pela cidade.
Amo a insicía confiante do demônios
Amo a eruptiva verve dos ímpetos seus
E amo a ingenuidade patética dos anjos
Que me amam, depois pedem perdão a Deus
segunda-feira, dezembro 22, 2008
sábado, dezembro 20, 2008
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Ana Paula Mangeon
O espaço ficou distante demais
e eu já não conto estrelas.
Crescemos e nos tornamos
descuidados conosco.
(Eu sempre muito mais atabalhoada que você).
Os pés no chão não parecem âncoras,
mas são.
E as naus vagam feito
barquinhos de papel
passeando numa sarjeta qualquer
num dia, assim, mais pluvial.
Eu tenho sede de outras coisas
Aquele arrepio do vento,
de tesão em ir, é só um suspiro frio.
As hibernações viraram
conseqüências simples
das coisas mundanas e tangíveis
que nos tornam os egoísmos aceitáveis
e nos fazem pedir desculpas pelas ausências
prometendo presenças sem círculos vermelhos na agenda.
(Pena que meu umbigo não me dê seus bons conselhos.
Acho que eu me preocupo mais com ele
que ele comigo no final das contas.)
Um dia os bilhetinhos iam rarear
Eu sabia.
Você também.
E haveria outros destinatários
Para tentar roubar, sem sucesso,
Este algo que é só meu e seu.
Talvez seja por isso que hoje
os carteiros não mais se anunciem:
Eles apenas enfiam suas palavras
por debaixo de minha porta,
sem procurar saber
quando eu estou em casa
dormindo comigo.
Sem o cuidado que merecem
essas cartas silenciosas
que chegam mesmo sem que você indique o endereço.
Essas cartas
que você me escreve com caneta permanente
em folhas de papel-espelho.
domingo, novembro 02, 2008
domingo, outubro 26, 2008
Ana Paula Mangeon
Do horizonte me assombrava a luz laranja
Já não avistava da longa via reta, a morte
Mas me dizias: meu bem nós temos sorte!
Nessa vida tendo fé tudo se arranja.
Vi do calor, das sombras, muitas fugas
D’alma fundida, fustigada pelo sol apino
Surgiu-me doce a miragem de você menino
E no espelho meu rosto coberto pelas rugas.
Como pudeste agir assim, homem mesquinho,
De me fazer seguir sem conhecer bem o caminho,
De me guiar contigo num mundo onde eu não quero estar?
Onde mesmo vai chegar a nossa estrada?
Conduzirá ela ao amor? Me mostrará o mar?
Ou como nós ela também vai dar em nada?
segunda-feira, setembro 01, 2008
::: Amores Caetanos :::
Ana Paula Mangeon
Se quiser conversar, me liga
Se quiser me ver, me chama.
Não façamos do que aproxima, o que afasta.
Eu gosto é assim.
Aparições, desaparecimentos…
Essa incerteza, iminência da surpresa.
“Então tá combinado, é quase nada…”
A gente fica legal é desse jeito.
sexta-feira, agosto 29, 2008
Ana Paula Mangeon
Faz tempo que me perdi de você, amor
Que esqueci seu nome, seu beijo
O tom agudo da sua voz.
Suas mazelas, suas canduras.
Fui ali e não voltei
Ou se voltei, não pude
Ficar.Não havemos de estar.
Abri uma janela e fugi,
Eu queria era morrer
Mas aconteceu: voei
.E fui voando, voando.
Viciei.
A casa que era nossa, só sua
O amor que era seu, só meu.
A porta da sala, a porta da rua.
Parti. Não resisti.
Não devia, mas eu disse até logo
Uma, duas, tantas vezes
Eu disse até logo.
Você entendeu adeus.
Dessa vez não vou voltar
Não vou lhe ver
Não vou me machucar.
O mundo é grande, eu sei
As paixões parcas
As desilusões doridas
Mas o que você evita por precaução
Eu busco. A dor é também vida.
Aqui, ali, acolá.No vôo, no mar.
Do outro lado da ponte,
Do outro lado do mundo.
Faz tempo que eu lhe perdi, amor
Mas eu tentei, não me arrependo.
Pobre de você que nunca me encontrou.
Ana Paula Mangeon
Nas entrelinhas ficou prometido
que não haveria mentiras.
Se eu tivesse mentido
prometer não mentir já teria sido a primeira.
Sim, beberam no teu copo.
Neste copo que já deu de beber a tantas bocas.
Mas ninguém nunca provou
do sentimento que eu te servi.
Ana Paula Mangeon
Seria tudo justo e perfeito
Houvesse para todo fim, um principio
E um meio. Para todo prólogo
Um epílogo. Houvesse para toda
Mão uma luva, para todo som uma
Música. A todo bom dia se desse
Um sorriso. Para todo favor gratidão.
Para todo tropeço, perdão.
Seria tudo belo e magnífico
Houvesse para todo pôr-do-sol
Um expectador. Para todo poema
Uma musa e um leitor. Para toda saliva
Um beijo ou um sabor. Toda saudade, noticia.
E para todo desejo, malicia.
Para todo temporal, um banho
Ou uma fuga
Para todo sapato, um caminho.
Para todo caminho, uma direção.
Uma rota para todo vôo
E um avião.
Seria tudo doce e tranqüilo
Houvesse para toda escuridão
um farol. Para todo farol uma luz
Para toda luz uma estrela
E um pedido.
Para todo cansaço, um domingo.
Seria tudo outra coisa
Não houvesse tanto medo
Se ninguém se acostumasse
Se ninguém se acomodasse.
Seria tudo contente,
Tudo mais simples
Tudo folguedo
Se para toda pele
houvesse um zíper
E para toda alma,
um segredo.
.
domingo, agosto 03, 2008
Ana Paula Mangeon
Palavras que nem sabes que disseste
eu sei e ouço. Já não é necessário som.
Conheço tuas minúcias, tuas sutilezas,
essa miséria de luz que carregas.
A energia funesta que emanas na presença e na ausência.
Conheço teus monocromas
teus gritos abafados n'alma
tuas lágrimas cristalizadas
teu sorriso em pó, instantâneo.
Enxergo todos os teus dramas e tuas mentiras.
Dias perdidos, horas desperdiçadas
o bem querer tolhido, rejeitado.
Tuas questões, tua melancolia.
Melancolia que é tua, não é minha.
Teus problemas abstratos,
Tua autopiedade metafísica.
Sei de cór a tua ladainha.
Palavras que nem sabes que disseste
eu já ouvi e não mais ouço.
Lavei a alma, irrompeu-se em mim a catarse.
A resignação que me habitava o corpo não mais existe
Livrei-me, enfim, da maldição de saber ler o teu olhar,
o teu olhar distante que só me recitava versos tristes.
quarta-feira, julho 09, 2008
Ana Paula Mangeon
A gente sabe, a gente sempre sabe
quando a coisa está bem ou está mal.
Quando o olho perde o brilho, quando o sorriso ilumina.
A gente sempre sabe quando a mão quer ou não a mão,
quando a presença é ou não mais é imprescindível.
A gente sempre sabe o limite da paixão,
onde transmuta em carinho,
quando vira só admiração
e quando já estava mesmo tudo perdido.
A gente sabe, a gente sempre sabe.
A gente sempre sabe a hora de avançar e a hora de recuar.
A gente sempre sabe reconhecer subterfúgios e estratagemas.
A gente sempre sabe o pulo do gato e a rota de fuga.
A gente sempre sabe o início, o meio e o fim.
A gente sabe, a gente sempre sabe.
E a gente sempre sabe que às vezes a gente corta,
tenta arrancar, lava com álcool e removedor,
mas a coisa fica ainda ali, incubada, latente,
aguardando uma distração para se manifestar.
São velhas conhecidas as mentiras que a gente inventa.
A gente sabe, a gente sempre sabe quando a fonte seca
e quando ainda há água para nossa sede eterna.
quinta-feira, junho 12, 2008
Ana Paula Mangeon
Eu erro quando eu sei que está errado
Eu erro dia, não meço a hora
Erro também quando eu acho ajustado.
Eu erro quando excessiva
eu erro quando me recato.
Eu erro a idéia e o ato.
Eu erro a rua, o endereço
eu erro mão, a direção.
Eu erro o fim, o meio. Errei o começo
Eu sempre digo a palavra errada
perco a métrica, esqueço a rima.
Erro também quando não digo nada.
Erro quando sou fina e quando sou escracho
Erro se acaricio ou se esculacho
Erro quando insolente ou quando sou capacho.
Erro se esperança ou se desengano
Erro se sou a mordida ou se sou o açaimo.
Erro quando te esqueço ou se ainda te amo.
Eu erro tudo, eu erro todos.
Erro sem culpa e erro com dolo
Eu erro os meus erros e erro os dos outros
Inúteis os alvos, as miras, as metas
eu chuto na trave, por cima do muro
Eu erro no claro e no escuro.
Eu erro de longe e eu erro perto.
A meia distância sabe-se também que erro.
De tão errada, erro até mesmo quando acerto.
segunda-feira, junho 02, 2008
Ana Paula Mangeon
Que pena.
O corpo dominado
não lhe acompanha
quando seu pensamento
pela minha cama
passeia
No sono sedento,
Finjo repouso.
Nego canibalismos
e perpetuo o jejum.
Você insiste.
Instiga
depois, desiste.
Olho para o céu
e conto os segundos.
Os astros revelam
a coragem minguante.
Me larga sozinha,
me vingo adiante.
Conheço o ímpeto
Que lhe norteia;
Da mesma matéria,
Somos alma e hormônio.
Estarei lhe esperando
Na próxima lua cheia.
sábado, maio 24, 2008
Ana Paula Mangeon
Se eu não fosse tão intensa,
se eu não fosse tão direta,
se eu não fosse tão eloqüente,
se eu não fosse tão convincente,
se eu não fosse tão prepotente,
se eu não fosse tão egoísta,
se eu não fosse tão narcisista,
se eu não fosse tão vaidosa.
Se eu tivesse mais delicadeza no falar,
mais inocência no olhar,
mas suavidade no tocar.
Se eu tivesse mais medo das coisas,
tivesse mais pudores e mais receios,
tivesse menos mistério e mais segredos.
Se eu fosse menos ação e mais palavra,
fosse menos gesto e mais poesia,
fosse menos lascívia e mais harmonia
Talvez essa sexta feira
ficasse um pouco menos vazia.
