quarta-feira, junho 25, 2008
(Autor?)
Que o mar vire cerveja e os homens, tira-gosto...
Que os nossos homens nunca morram viúvos,
e que nosso filhos tenham pais ricos e mães gostosas!
Que Deus abençoe os homens bonitos, e os feios se tiver tempo;
Aos que temos, aos que tivemos e aos que teremos.
Um brinde também aos namorados que nos conquistaram , aos TROUXAS que nos perderam e os SORTUDOS QUE AINDA VÃO NOS CONHCER !!!
Que SEMPRE sobre , que NUNCA nos falte , e que a gente DÊ CONTA de todos !!!
Amém.
segunda-feira, junho 23, 2008
Ludwig van Beethoven
The First Letter
July 6, in the morning
My angel, my all, my very self - Only a few words today and at that with pencil (with yours) - Not till tomorrow will my lodgings be definitely determined upon - what a useless waste of time - Why this deep sorrow when necessity speaks - can our love endure except through sacrifices, through not demanding everything from one another; can you change the fact that you are not wholly mine, I not wholly thine - Oh God, look out into the beauties of nature and comfort your heart with that which must be - Love demands everything and that very justly - thus it is to me with you, and to your with me. But you forget so easily that I must live for me and for you; if we were wholly united you would feel the pain of it as little as I - My journey was a fearful one; I did not reach here until 4 o'clock yesterday morning. Lacking horses the post-coach chose another route, but what an awful one; at the stage before the last I was warned not to travel at night; I was made fearful of a forest, but that only made me the more eager - and I was wrong. The coach must needs break down on the wretched road, a bottomless mud road. Without such postilions as I had with me I should have remained stuck in the road. Esterhazy, traveling the usual road here, had the same fate with eight horses that I had with four - Yet I got some pleasure out of it, as I always do when I successfully overcome difficulties - Now a quick change to things internal from things external. We shall surely see each other soon; moreover, today I cannot share with you the thoughts I have had during these last few days touching my own life - If our hearts were always close together, I would have none of these. My heart is full of so many things to say to you - ah - there are moments when I feel that speech amounts to nothing at all - Cheer up - remain my true, my only treasure, my all as I am yours. The gods must send us the rest, what for us must and shall be -
Your faithful LUDWIG.
The Second Letter
Evening, Monday, July 6
You are suffering, my dearest creature - only now have I learned that letters must be posted very early in the morning on Mondays to Thursdays - the only days on which the mail-coach goes from here to K. - You are suffering - Ah, wherever I am, there you are also - I will arrange it with you and me that I can live with you. What a life!!! thus!!! without you - pursued by the goodness of mankind hither and thither - which I as little want to deserve as I deserve it - Humility of man towards man - it pains me - and when I consider myself in relation to the universe, what am I and what is He - whom we call the greatest - and yet - herein lies the divine in man - I weep when I reflect that you will probably not receive the first report from me until Saturday - Much as you love me - I love you more - But do not ever conceal yourself from me - good night - As I am taking the baths I must go to bed - Oh God - so near! so far! Is not our love truly a heavenly structure, and also as firm as the vault of heaven?
The Third Letter
Good morning, on July 7
Though still in bed, my thoughts go out to you, my Immortal Beloved, now and then joyfully, then sadly, waiting to learn whether or not fate will hear us - I can live only wholly with you or not at all - Yes, I am resolved to wander so long away from you until I can fly to your arms and say that I am really at home with you, and can send my soul enwrapped in you into the land of spirits - Yes, unhappily it must be so - You will be the more contained since you know my fidelity to you. No one else can ever possess my heart - never - never - Oh God, why must one be parted from one whom one so loves. And yet my life in V is now a wretched life - Your love makes me at once the happiest and the unhappiest of men - At my age I need a steady, quiet life - can that be so in our connection? My angel, I have just been told that the mailcoach goes every day - therefore I must close at once so that you may receive the letter at once - Be calm, only by a calm consideration of our existence can we achieve our purpose to live together - Be calm - love me - today - yesterday - what tearful longings for you - you - you - my life - my all - farewell. Oh continue to love me - never misjudge the most faithful heart of your beloved.
ever thine
ever mine
ever ours
sábado, junho 21, 2008
Skank
Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou prá trás
Também o que nos juntou...
Ainda lembro
Que eu estava lendo
Só prá saber
O que você achou
Dos versos que eu fiz
E ainda espero
Resposta...
Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar
Que ninguém mais pisou...
Você está vendo
O que está acontecendo
Nesse caderno
Sei que ainda estão...
Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite...
Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante...
quarta-feira, junho 18, 2008
Lula Vieira
Encontrei em São Paulo a Paula Lagrotta e trocamos piadas novas, fizemos o maior esporro. A gente estava esperando a Ciça e a Polika para voltarmos todos para o Rio, depois de uma profícua jornada de trabalho em São Paulo. Entre várias fofocas e maledicências comentamos que tanto ela quanto eu falávamos besteiras demais, estávamos muito pornográficos, que a gente precisava maneirar, pois essa imagem de boca suja poderia nos prejudicar. Tudo pura hipocrisia, pois já não tenho mais como piorar a minha imagem e a Paula é uma das melhores profissionais do mercado, disputada por qualquer agência que queira ter um atendimento de primeira qualidade.
Pois bem, daí chegou a nossa vez de sermos atendidos. Vocês conhecem o sistema: um se adianta, fica no balcão e a fila fica metros atrás esperando a vez. A Paula entrega a passagem, a moça sorri e pergunta:
- A senhora prefere na frente ou atrás?
A Paula vira-se para mim e grita:
- Tá vendo, Lula, depois dizem que sou eu que só penso besteira!
A moça da Varig não entendeu nada. Mas na fila umas dez pessoas (todas cariocas) caíram na gargalhada.
Lula Vieira
Uma das personalidades mais fascinantes e ao mesmo tempo mais imprevisíveis que já existiram no mundo da propaganda foi o Alfredo Monteverde, dono do Ponto Frio. Era um homem brilhante, nervoso, criativo, capaz de reagir a uma idéia com um enorme entusiasmo ou ataques de fúria. Um temperamental admirável.
Conta a lenda que um supervisor de atendimento estreou na conta do Ponto Frio, na época SGB, exatamente no dia de uma apresentação de uma campanha. Era uma daquelas colossais que o varejo fazia, com verbas imensas, capaz de mobilizar uma população inteira.
Acontece, que, naquele dia, o Monteverde estava com a macaca. Após o ritual de apresentação que terminava com a sala de reuniões parecendo uma feira. Com layouts cobrindo a mesa e as paredes, fez-se o conhecido silêncio da expectativa. Monteverde começou a falar com a voz muito cansada, denotando um esforço enorme para se controlar.
E foi demolindo cada idéia, cada anúncio, detalhe por detalhe. Do tema aos diversos títulos, layout por layout ele ia criticando tudo sem nenhuma piedade. E, à medida que falava, ia ficando irado. Da posição comedida e (quase) educada do início, foi passando para o insulto. A campanha que tinha alguns erros foi ficando cada vez mais uma merda. Os criadores que no começo tinham apenas se equivocado no enfoque passaram a ser um bando de imbecis – depois veados e, dois layouts depois, simplesmente filhos da p. Da agressão verbal, Monteverde passou para a agressão física. Já descontrolado, jogava textos, planos e storyboards em cima das pessoas. Trouxe à baila a mãe e o pai da agência inteira, até que, de repente, ele puxa um layout da mesa e derruba um cinzeiro de cristal. Completamente desesperado, o novo supervisor reagiu à altura do desvario geral. Antes que o cinzeiro chegasse ao assoalho, deu-lhe um bico que o fez atravessar a sala e arrebentar a vidraça. Ouviu-se uma ensurdecedora explosão seguida do barulho de vidro caindo e, logo depois, os gritos vindos da rua.
Mais uma vez fez-se silêncio, desta vez, aterrador. Um enorme buraco aparecia na janela. Cacos, pedaços de campanha e cadeiras viradas pelas pessoas em fuga dava, à sala um aspecto de Bósnia – ou melhor Kosovo. Dava para ouvir o arfar apavorado do contato. O que dera nele para fazer aquilo? Monteverde respirou fundo, deu um tapinha no ombro do contato e disse:
- Bem, mas a campanha também tem coisas positivas. Vamos reexaminar tudo.
E começou a reconsiderar suas próprias opiniões, cantando pedaços de papel pelo chão e reconstruindo alguns anúncios. O contato olhou para Monteverde fixamente. Moveu os lábios num esforço para falar, torceu as mãos, arregalou os olhos. E começou a chorar convulsivamente. Só faltou fechar a cortina como numa ópera.
terça-feira, junho 17, 2008
(Trecho do filme com o mesmo nome)
- Dia 1
Dê ele um relatório completo de todos os seus relacionamentos anteriores.
- Dia 2
Comece a se referir a ele como seu "namorado".
- Dia 3
Diga a ele que o ama. Não se preocupe que esse é somente o segundo encontro de vocês.
- Dia 4
Borrife seu perfume nos travesseiros dele para que ele sempre se lembre de você.
- Dia 5
Compre roupas que combinem para você e seu namorado. Insista para que vocês dois usem-as quando vocês saírem, assim todo mundo saberá que vocês estão juntos.
- Dia 6
Ligue para a mãe dele e se apresente. Refira-se a ele como "mãe" ou chame-a pelo primeiro nome.
- Dia 7
Ligue para ele. Ligue para ele novamente. Ligue para ele sempre que tiver um tempo livre. Se ele não atender, não deixe recado. Isso vai permitir que você continue ligando.
- Dia 8
Dê a ele uma noite sozinho com os amigos, mas vá encontrá-lo para ter certeza que ele está se divertindo.
- Dia 9
Pergunte a ele o que ele está pensando. Se ele disser "nada", acuse-o de pensar em outra mulher.
- Dia 10
Revele um segredo íntimo sobre seu namorado para os amigos e a família dele.
segunda-feira, junho 16, 2008
Matchbox Twenty
She say it's cold outside and she hands me my raincoat
She's always worried about things like that
She says it's all gonna end and it might as well be my fault
And she only sleeps when it's raining
And she screams and her voice is straining
She says baby
It's 3 am I must be lonely
When she says baby
Well I can't help but be scared of it all sometimes
Says the rain's gonna wash away I believe it
She's got a little bit of something, God it's better than nothing
And in her color portrait world she believes that she's got it all
She swears the moon don't hang quite as high as it used to
And she only sleeps when it's raining
And she screams and her voice is straining
She believes that life is made up of all that you're used to
And the clock on the wall has been stuck at three for days, and days
She thinks that happiness is a mat that sits on her doorway
But outside it's stopped raining
quinta-feira, junho 12, 2008
James Morrison
You want to stay with me in the morning
You only hold me when I sleep,
I was meant to tread the water
Now I've gotten in too deep,
For every piece of me that wants you
Another piece backs away.
'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something
'Cause someday I might know my heart.
You already waited up for hours
Just to spend a little time alone with me,
And I can say I've never bought you flowers
I can't work out what the mean,
I never thought that I'd love someone,
That was someone else's dream.
'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something,
'Cause someday I might call you from my heart,
But it might me a second too late,
And the words I could never say
Gonna come out anyway.
Ana Paula Mangeon
Eu erro quando eu sei que está errado
Eu erro dia, não meço a hora
Erro também quando eu acho ajustado.
Eu erro quando excessiva
eu erro quando me recato.
Eu erro a idéia e o ato.
Eu erro a rua, o endereço
eu erro mão, a direção.
Eu erro o fim, o meio. Errei o começo
Eu sempre digo a palavra errada
perco a métrica, esqueço a rima.
Erro também quando não digo nada.
Erro quando sou fina e quando sou escracho
Erro se acaricio ou se esculacho
Erro quando insolente ou quando sou capacho.
Erro se esperança ou se desengano
Erro se sou a mordida ou se sou o açaimo.
Erro quando te esqueço ou se ainda te amo.
Eu erro tudo, eu erro todos.
Erro sem culpa e erro com dolo
Eu erro os meus erros e erro os dos outros
Inúteis os alvos, as miras, as metas
eu chuto na trave, por cima do muro
Eu erro no claro e no escuro.
Eu erro de longe e eu erro perto.
A meia distância sabe-se também que erro.
De tão errada, erro até mesmo quando acerto.
Rihanna
How about a round of applause?
Standing ovation...
You look so dumb right now
Standin' outside my house
Tryin' to apologize
You're so ugly when you cry
(Please)
Just cut it out
Don't tell me you're sorry 'cause you're not
Baby when I know you're only sorry you got caught
But you put on quite a show
You really had me going
But now it's time to go
Curtains finally closing
That was quite a show
Very entertaining
But it's over now
Go on and take a bow
Grab your clothes and get gone
(You better hurry up)
Before the sprinklers come on
Talkin' bout "Girl, I love you you're the one..."
This just looks like a re-run
(Please)
What else is on?
And don't tell me you're sorry 'cause you're not
Baby when I know you're only sorry you got caught
But you put on quite a show
You really had me going
But now it's time to go
Curtains finally closing
That was quite a show
Very entertaining
But it's over now
Go on and take a bow
And the award for the best liar goes to you
For making me believe
That you could be
Faithful to me
Let's hear your speech
oh...
How bout a round of applause?
Standing ovation...
But you put on quite a show
You really had me going
But now it's time to go
Curtains finally closing
That was quite a show
Very entertaining
But it's over now
Go on and take a bow
But it's over now...
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Tradução
Que tal uma salva de palmas?
Uma ovação em pé
Você parece tão idiota agora
Parado ai fora da minha casa
Tentando se desculpar
Você fica tão feio quando chora
Por favor, corta essa
Não diga me que você está arrependido porque não está
Baby, sei que você se arrepende somente porque foi pego
Mas você monta o seu showzinho
E realmente me faz acreditar
Mas agora é hora de ir
As cortinas finalmente estão se fechando
Aquilo foi apenas um show
Muito interessante
Mas acabou
Vá e siga em frente
Pegue suas roupas e saia (melhor se apressar)
Antes que a chuva venha
Falando "Garota eu te amo, você é única"
Isso parece como um reatamento
Por favor, o que mais vai dizer?
E não diga me que você está arrependido porque não está
Baby, sei que você se arrepende somente porque foi pego
Mas você monta o seu showzinho
E realmente me faz acreditar
Mas agora é hora de ir
As cortinas finalmente estão se fechando
Aquilo foi apenas um show
Muito interessante
Mas acabou
Vá e siga em frente
E o prêmio de melhor
Mentiroso vai para você
Por me fazer acreditar
Que você poderia ser fiel a mim
Vamos ouvir seu discurso
Que tal uma salva de palmas?
Uma ovação em pé
Mas você monta o seu showzinho
E realmente me faz acreditar
Mas agora é hora de ir
As cortinas finalmente estão se fechando
Aquilo foi apenas um show
Muito interessante
Mas acabou
Vá e siga em frente
Mas acabou...
sábado, junho 07, 2008
Tati Bernardi
Um brinde aos passos minúsculos desses seres rastejantes. Andam na velocidade de uma boa notícia quando a ansiedade já extrapolou a lógica da espera.
Chega de meias bocas pra preencher profundos vazios. Meias bocas para beijar entradas inteiras. Meios beijos de respeito na testa. Meias palavras para dizer alguma coisa que, feita a análise fria, nada querem dizer.
Intenções soltas e desejos desconexos. Esse mistério todo é uma violência contra a minha inteligência. Sejamos diretos para não sermos idiotas: eu te quero. Você me quer? Não sabe? Ah, então vá pra puta que te pariu. (E vá ser vago na casa da sua mãe porque embaixo da sua manga eu não fico mais!)
Este rebolado colorido que descola de seu cenário pastel, vem de meu ventre. Livre. Portanto não tente me escravizar, nem com promessas, intelectualidades, ou uma pegada daquelas.
Este rebolado é quase que instintivo, meu jeito, nada sutil, apesar de ser essa a intenção, de te mostrar que há chances de ultrapassagem.
Seja inteligente, faça jus à espécie, seja Sapiens. Perceba o sinal verde, ultrapasse.
Não sabe se quer acelerar o motorzinho? Então vá treinar com uma boneca, uma revista, uma prima, a chata da sua mulher, a sem-sal da sua namorada ou o raio que os parta todos os mornos.
Eu não sou morna e, se você não quiser se queimar, morra na temperatura do vômito. E bem longe de mim.
Ou venha me ajudar a ferver essa banheira. Vamos ficar cegos de vapor e vermelhos de vida. É sangue que corre nos meus sentimentos e não o enjôo morno de uma vida que se vai empurrando com a barriga.
Barriga que vai crescer no sofá imundo dos acomodados.
Eu ainda quero muito. Quero as três da manhã de um sábado e não as sete da tarde de uma quarta. Vamos viver uma história de verdade ou vou ter que te mandar pastar com outras vaquinhas?
Docinho vá fazer pra quem gosta de lamber o seu cuzinho, porque aqui nessa boquinha só entra cher nourriture . Vá contar esse seu papinho de "Hey, you never know" pra quem conta com a sorte e sabe esperar. A sorte é sua de ser amado por mim e eu quero agora, ontem, semana passada.
Amanhã não sei mais das minhas prioridades: posso querer dormir com pijama de criança até meio-dia, pagar 500 reais numa saia amarela, comer bicho-de-pé no Amor aos Pedaços ou quem sabe dar para o seu chefe em cima da mesa dele.
Minha vontade de ser feliz é como a sua de gozar. E se eu te iludisse de tesão e levantasse rápido para retornar a minha vida? Você continuaria se fodendo sozinho para fugir da dor: é assim que vivo, masturbando minha mente de sonhos para tentar sugar alguma realização. É assim que vivo: me fodendo.
Chega de ser metade aquecida, metade apreciada, metade conhecida. Chega de ser metade comida em meios horários e meio amada em histórias pela metade.
Chega de sorrir para o que não me contenta e me cobrar paciência com um profundo respiro de indignação. Paciência é dom de amor aquietado, pobre, pela metade. Calma, raciocínio e estratégia são dons de amor que pára para racionalizar. Amor que é amor não pára, não tem intervalo, atropela.
Não caio na mesma vala de quem empurra a vida porque ela me empurra. Ela faz com que eu me jogue em cima de você, nem que seja para te espantar.
Melhor te ver correndo pra longe do que empacado em minha vida.
quarta-feira, junho 04, 2008
Detonautas
Tento te encontrar
Tanto pra dizer
Meu amor, tudo bem
Sorte de nós dois
Quero te fazer feliz
Meu amor, sempre quis
Seus olhos certos mas não sei o que dizer
Eu não vou mas o tempo vem
Tá tudo certo mas não sei o que dizer
Eu não vou, mas o tempo vem aqui
Tento te encontrar
Tanto pra dizer
Meu amor, tudo bem
Mesmo sem te ver
Não chegou ao fim
Seu amor, tudo em mim
Se não for mais do que tento ser
Se não for mais
Se não for mais do que tento ser
Se não for
Seus olhos certos mas não sei o que dizer
Eu não vou mas o tempo vem
Tá tudo certo mais não sei o que dizer
Eu não vou mas o tempo vem aqui.
segunda-feira, junho 02, 2008
Ana Paula Mangeon
Que pena.
O corpo dominado
não lhe acompanha
quando seu pensamento
pela minha cama
passeia
No sono sedento,
Finjo repouso.
Nego canibalismos
e perpetuo o jejum.
Você insiste.
Instiga
depois, desiste.
Olho para o céu
e conto os segundos.
Os astros revelam
a coragem minguante.
Me larga sozinha,
me vingo adiante.
Conheço o ímpeto
Que lhe norteia;
Da mesma matéria,
Somos alma e hormônio.
Estarei lhe esperando
Na próxima lua cheia.
sábado, maio 24, 2008
Ana Paula Mangeon
Se eu não fosse tão intensa,
se eu não fosse tão direta,
se eu não fosse tão eloqüente,
se eu não fosse tão convincente,
se eu não fosse tão prepotente,
se eu não fosse tão egoísta,
se eu não fosse tão narcisista,
se eu não fosse tão vaidosa.
Se eu tivesse mais delicadeza no falar,
mais inocência no olhar,
mas suavidade no tocar.
Se eu tivesse mais medo das coisas,
tivesse mais pudores e mais receios,
tivesse menos mistério e mais segredos.
Se eu fosse menos ação e mais palavra,
fosse menos gesto e mais poesia,
fosse menos lascívia e mais harmonia
Talvez essa sexta feira
ficasse um pouco menos vazia.
Ana Paula Mangeon
Tudo verte em meu olhar
para o espelho d'um outro olhar
que alcance minha fragilidade mais escondida.
E me tome nos braços
e me deixe calada e entorpecida
Imóvel e incapaz de sair.
Quero alguém
que vede todas as rotas de fuga
que criei para evadir de mim.
O negócio, moço,
é invadir minha vida de repente
e me deixar, assustada, assistir.
::: Odeio esse texto :::
Tati Bernardi
Eu tenho, você tem e eu duvido que aquele cara ajoelhado na frente do santo ou aquela mulher descalça numa ciranda espírita não tenham: ódio. E eu não sou só isso, eu não sou assim o tempo todo, eu não me baseio nisso. Mas, sim, eu odeio, e como. E a cada dia eu odeio mais conscientemente, a cada ano eu odeio mais especificamente e a cada noção da vida eu odeio mais verdadeiramente. Eu odeio que encostem o cotovelo, a bunda ou uma cerveja molhada em mim enquanto eu tento encontrar um espaço para dançar. Eu odeio que encostem em mim, odeio a pele de um desconhecido indesejado. Odeio homens com camisetinhas justas e colares. Odeio garotas de nariz empinado em suas calças que de tão apertadas fedem corrimento. Odeio meninas ensebadas que mexem demais no cabelo e olham para os lados com vergonha da própria existência. Odeio homens que olham para bundas como se admirassem uma carne pendurada no açougue e odeio mais ainda quando fazem bico e aquele sim com a cabeça, tipo "concordo com o mundo que ela é muito gostosa". E se ele fizer aquela chupada pra dentro do tipo "hmmmmm delícia" já é algo que ultrapassa os limites do meu ódio. Bater o dedinho do pé na quina, futebol pelo rádio, pessoas felizes demais, bocejos, mania de batuques (sim, foi para você), cigarro enquanto eu tô comendo (ou a qualquer hora), mau atendimento em restaurante (ou em qualquer lugar) e pessoas que não sabem chupar laranja ou tomar sopa sem sonoridades.
Odeio quem ignora a necessidade do desodorante, do retoque na raiz preta e da hora de parar com a comida. Odeio que faça sol se preciso de uma desculpa para não sair de casa. Odeio chuva se tenho roupas novas de verão. Odeio amigas que fazem sexo anal e me contam e eu passo o resto da vida sentindo um cheiro ruim quando encontro com elas. Flanelinhas, patricinhas, nominhos carinhosos para o namoradinho e frases carinhosas para o namoradinho no diminutivo. Odeio não ter um filho da puta nesta terra que sirva para meu namorado. Odeio mau hálito e mais ainda o fato de que justamente as pessoas podres são aquelas que falam mais baixo e nos obrigam a ter que chegar perto. Eu odeio machismo, submissão e mais do que tudo isso ter que ser forte o tempo todo e não ter um ombro másculo para chorar até minha última gota desamparada.
Eu odeio com toda a força do meu ódio o telemarketing e que me chamem de "senhora Tatiana" duzentas vezes por minuto. Eu odeio quando ligo no banco para saber o quanto estou negativa e a puta computadorizada me oferece algum superproduto premiado. (Eu estou negativa porra! Como vou investir? E meu nome é Tatianeeeeeeee odeio meu nome mas é meu). Odeio todas as meninas bonitas do ginásio que já tinham peitos e bundas naquela época e hoje provavelmente devem estar caídas e usadas. Odeio o professor Nicola que me mandou calar a boca porque era um lixo de professor mas queria aparecer. Odeio muito mais do que telemarketing que empurrem a minha cabeça para fazer sexo oral: a chupetinha comandada! Vai abaixar a cabeça da sua mãe, seu filho da puta! E vê se aprende logo que não precisa enfiar a língua lá no fundo e fazer aquela cara de nojo, lambe o clitóris e mostre que você sabe mais do que quem foi o campeão do Brasileirão de 89. Odeio homossexuais enrustidos que usam a desculpa para não pegar uma mulher "ah, eu só pego de modelo pra cima". Odeio homens.
Toques de celular personalizados, tatuagem tribal e a nova moda das atrizes-modelos-manequins de tatuar as inicias do namorado da semana. Odeio bolsas Louis Vuitton, elas são feias e caras e quem usa é a típica lânguida que eu odeio, de rosto fino, cabelo fino e cérebro fino do fino shopping Iguatemi. Odeio bunda muito grande porque bunda muito grande é coisa de pobre. Odeio minha bunda ser pequena e eu ser pobre. Odeio todas as bandas de rock que se parecem, as músicas de negro que se parecem e as meninas da Faria Lima que se parecem. Odeio ter vontade de fazer cocô logo depois que eu tomei banho. Odeio o fim do sexo com aquela lambuzeira toda, odeio o meio do sexo porque minha cabeça quase sempre está em outro lugar e eu quase sempre finjo orgasmo. Odeio quando amo o sexo e o filho da puta some e eu passo mais um tempão para gostar de sexo de novo.
Odeio pessoas muito oleosas, muito peludas, muito suadas e acima de tudo meninas que cheiram a lavandas e gostam de adesivos de ursinho. Odeio as pessoas que eu amo muito, tipo minha mãe. Odeio que me mandem falar mais baixo e odeio que falem alto. Odeio que me olhem e que não me vejam. Odeio pentelho na minha garganta. Odeio comerciais com crianças vestidas de branco correndo no campo com flores amarelas, aquele japonezinho que faz cocô e aperta o tirador de fedor do banheiro e odeio muito, mas muito, mas muito mesmo, as lojas Marabrás. Odeio bijuteria dourada mais do que qualquer telemarketing ou chupadinha comandada. Odeio brilho em vestidos... agora, cascata de neon em formatura está acima dos meus poderes em odiar.
Odeio quem comemora porque passou numa faculdade que meu primo de 8 anos passaria e quem diz "peguei a mina". "Pega no meu pau, muleque!" Odeio bolsa de couro sintético combinando com o sapato de couro sintético (se as fivelas combinarem eu posso enfartar a qualquer momento). Odeio quem comemora o aniversário no rodízio de pizza do Viena e quem não pode perder o novo filme do Ben Affleck. Odeio numa proporção assustadora o Outback do Shopping Eldorado. (Se você vai num restaurante de shopping vagabundo com um nome industrializado sem charme desses e ainda acha divertido escorregar na gordura do chão não leia meus textos, por favor.)
Odeio os Estados Unidos mas odeio muito mais o fato de a gente ter sangue europeu mas ficar imitando esses estúpidos, que também têm sangue europeu mas são estúpidos por herança criada. Odeio a frase "eu vou no super, comprar umas cervas para o churras". Odeio cariocas que se acham superiores só por causa da praia mas vêm ganhar dinheiro aqui. Odeio cariocas que se acham fodas porque já saíram com alguma atriz da Globo e todos já saíram. Odeio a vontade que eu sinto de rebolar quando escuto aquela imbecil da Britney Spears, odeio ter chorado no Titanic e odeio assistir Celebrity Profile pra saber o que a Pamela Anderson faz além de ter dor nas costas (porque não deve ser fácil carregar duas jacas diariamente). Mas eu assisto.
Odeio quem passa o dia no shopping com a família, churrascaria com aquele desfile de bichinhos mortos, principalmente porque você está lá tranqüilamente comendo e vem alguém com um espeto (que é grosseiramente imposto ao seu lado), te espirra sangue, fala um nome idiota e você nunca sabe exatamente de que parte se trata.
Odeio homem que arrota aquele assoprinho que precede a explosão do chopp, sabe? Odeio com cada célula do meu corpo os "moke-up" de sobremesa em lojas de doces e alguns restaurantes. Odeio quem casa virgem, odeio quem chega em casa depois de uns malhos no carro e enfia o dedo no meio das pernas porque tava louca para dar mas "ele ia me achar muito fácil". Mas eu também odeio mulher que sai dando pra meio mundo e perde o mistério. Sei lá, essa coisa toda de dar vai ser sempre uma dúvida. Odeio dúvidas.
Odeio meninas caçadoras de homens ricos mas odeio sair com um cara que está tentando começar um relacionamento e ter que rachar a conta, seria mais simpático me deixar pagar a conta toda. Rachar é péssimo. Odeio aquele filme da loira e da morena do David Lynch, odeio as pessoas que não entendem que Felicidade veio antes de Beleza Americana e odeio quem odeia o Woody Allen.
Dividir banheiro, pêlo alheio em sabonete, acordar cedo e meninas adolescentes peruas com voz de pato. Odeio gordinhas que dizem "é que eu tenho a estrutura óssea larga" e dá-lhe brigadeiro em frente à televisão. Odeio aquele velho filho da puta me olhando na mesa ao lado, com três crianças penduradas no pescoço e uma mulher com culote comendo abacaxi para ajudar na digestão do javali. Odeio a típica família e suas árvores de Natal cheias de rancor, e os doces das tias cheias de rancor, e as crianças lindas correndo querendo que o priminho morra porque ganhou mais brinquedos. Odeio o tapinha dos homens e o beijinho em falso das mulheres. Prefiro virar a cara, prefiro cuspir, prefiro odiar, quando eu era criança sonhava todas as noites que arrancava os olhos de todo mundo e só eu podia enxergar o quanto era feio eu ser como sou.
quarta-feira, maio 21, 2008
Martha Medeiros
Para que serve um amigo?
Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra...
Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um (e às vezes ele pode ter até 4 patas), amém.
domingo, maio 18, 2008
::: Amores impossíveis :::
Tati Bernardi
Desculpem o trocadilho infame, mas a vida é feita de altos e baixos. Altos, fortes, morenos, sensuais, possíveis e aquele baixinho, meio esquisito, que não sai da sua cabeça.
Impressionante como a gente sofre por nada. Um cheiro que mexe com você, um jeito de olhar contido, uma idéia inteligente, várias na verdade. Não, não é nada disso, a gente sofre é pela impossibilidade.
Desde que o mundo é mundo não há nada mais afrodisíaco do que a proibição.
E se a Julieta tivesse visto o Romeu acordar com mau hálito? E se o Romeu descobrisse o chulé da Julieta? Convivência é foda.
Pois é, aquele baixinho esquisito não pertence ao grupo dos amores possíveis, a graça dele pode durar uma eternidade, dependendo do seu grau de estupidez criativa.
Ele não quer nada com você, já tem alguém, pertence a um caminho que passa longe do seu, sabe cumé? Pertence ao campo dos idealizados, sonhados e distantes, o que faz dele enorme, lá no pedestal.
E nada melhor do que as lacunas da improbabilidade para esquentar uma paixão. Nessas lacunas você tem espaço para criar a história como quiser, ganha poder, inventa. Ele é seu, seu personagem.
Nesses espaços livres você coloca todos os seus sonhos, toda a sua imaginação. Cenas completas com fundo musical e palavras certas, finais e desfechos inesperados.
Quando você menos espera, ele faz mais parte da sua vida do que você mesma.
Mas a realidade aparece mais cedo mais tarde, vem como uma angústia. Parece vontade de fazer xixi, mas é tesão reprimido. Tesão reprimido deve dar câncer. Era só um cara interessante, agora pode te matar.
Pronto, você está apaixonada. E a paixão tem suas etapas.
Primeiro a negação: eu apaixonada? Imagina. Ele é impossível, nunca vai me dar bola, muito menos duas com o que eu quero no meio.
Depois a maximização: ele é mais inteligente, mais bonito, mais engraçado. E todos os mais possíveis para que ele seja mais desafio para você, mais inveja para as suas amigas, se você aparecer com ele na festa, mais fadinhas dançantes para fazer cosquinha no seu ego problemático.
Daí é a vez da "superlativização": em vez de ser mais, ele é "o mais", o mais fodido, o mais inteligente e o mais gostoso.
E você está a um passo do endeusamento: "ele é único", aí fodeu.
Se ele é único, ele é a sua única chance de ser feliz. E, se ele não quer nada com você, você acaba de perder a sua única chance de ser feliz. Bem-vinda à depressão.
Como você é ridícula, amor platônico é para adolescentes.
Lá fora há milhares de possibilidades de felicidade, de felicidades possíveis. De realidade. E você eternamente trancada na porta que o mundo fechou na sua cara. Fazendo questão de questionar e atentar o inexistente.
Vá viver um grande amor.
Olha, faça um favor para mim, antes de tremer as pernas pelo inconquistável e apagar as luzes do mundo por um único brilho falso, olhe dentro de você e pergunte: estupidez, masoquismo ou medo de viver de verdade?
sexta-feira, maio 16, 2008
Ana Carolina
Você pode me ver
Do jeito que quiser
Eu não vou fazer esforço
Prá te contrariar
De tantas mil maneiras
Que eu posso ser
Estou certa que uma delas
Vai te agradar
Porque eu sou feita pro amor
Da cabeça aos pés
E não faço outra coisa
Do que me doar
Se causei alguma dor
Não foi por querer
Nunca tive a intenção
De te machucar...
Porque eu gosto é de rosas
E rosas, de rosas
Acompanhadas de um bilhete
Me deixam nervosa...
Toda mulher gosta de rosas
E rosas, de rosas
Muitas vezes são vermelhas
Mas sempre são rosas...
Se teu santo por acaso
Não bater com o meu
Eu retomo o meu caminho
E nada a declarar
Meia culpa cada um
Que vá cuidar do seu
Se for só um arranhão
Eu não vou nem soprar
quarta-feira, maio 14, 2008
Elvis Costello (Trilha sonora do filme Um Lugar Chamado Notting Hill)
She
May be the face I can't forget
The trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay
She
May be the song that summer sings
May be the chill that autumn brings
May be a hundred different things
Within the measure of a day
She
May be the beauty or the beast
May be the famine or the feast
May turn each day into a heaven or a hell
She may be the mirror of my dreams
The smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell
She
Who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry
She
May be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past
That I'll remember till the day I die
She
May be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough in ready years
Me
I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is
She
She, oh she
segunda-feira, maio 12, 2008
Ana Paula Mangeon
Nada sei desse amor encapsulado num só corpo
Desse amor olho, nariz e orelha
Desse amor com endereço e código postal
Desse amor dominical sagrado
Desse amor coerente, desse amor ajustado
Nada sei desse amor namorada e namorado.
Desse amor de acordar do lado
Desse amor cara amassada,
Desse amor escovas de dente.
Desse amor devoto, desse amor escravo.
O amor que sei é aquele que levo comigo
Que passeia na noite, que quer pouso não casa.
Que quer a porta da rua, janela.
Amor delicado sim, mas etéreo.
Amor sem esperança, mas esperado.
Amor amorfo, amor errante.
Amor sem sobrenome, amor instante.
O amor que sei é o amor que de tão breve e tão a esmo
no momento em que se consuma acaba consumido por si mesmo.
domingo, maio 11, 2008
::: Amor não se pede :::
Tati Bernardi
Uma declaração de amor revoltado.
Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachada, com o cofrinho aparecendo. Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo:pularia pelada de bungee jump. Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, de qualquer espírito.
Mas amor não se pede, imagine só. Ei, seu tonto, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada com sua presença? Não, não dá pra dizer isso. Ei, seu velho, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença? Não, você não pode dizer isso. Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença? Definitivamente, não, melhor não.
Amor não se pede, é uma pena. É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira. É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinho sonhos. Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro desgraçado e dizer: ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema?
Mas amor, minha querida, não se pede, dá raiva, eu sei. Raiva dele ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto. Raiva dele fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta. Raiva dele ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar.
Ele roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia. Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pro cara e dizer: ei, a vida é curta pra sofrer, volta, volta, volta. Porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem.
É triste ver o Sol e não vê-lo se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ele, são tristes as noites que cumprem a promessa. É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca. Aquele cheiro que dá vontade de transar pro resto da vida. É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz. Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado. É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar. É triste lembrar como eu ria com ele.
Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa? Ele sabe, ele sabe.
terça-feira, maio 06, 2008
Ana Paula Mangeon
Nada disso vale nada, cara.
É momento.
Eu só sei dessas felicidades instantâneas.
Depois tudo some, feito Polaroid.
Eu só sei desse vazio onde ecoa o meu nome.
Difícil se livrar da solidão
uma vez que a gente acostuma
e mal percebe a estupidez
que é confundi-la com liberdade.
domingo, abril 20, 2008
(desconheço o autor)
A. Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.
B. Tudo leva mais tempo, do que todo o tempo que você tem disponível.
C. O modo mais rápido de se encontrar uma coisa, é procurar outra.
D. Você sempre encontra, aquilo que não está procurando.
E. Quando te ligam: Se você tem caneta, não tem papel. Se tiver papel, não tem caneta. Se tiver ambos, ninguém liga.
F. Qualquer esforço para se agarrar um objeto em queda, provocará mais destruição do que se deixássemos o objeto cair naturalmente.
G. Se você consegue manter a cabeça enquanto em sua volta todos estão perdendo a deles, provavelmente você não entende a gravidade da situação.
H. Só sabe a profundidade da poça, quem cai nela.
I. Especialista é aquele cara que sabe cada vez mais, sobre cada vez menos.
J. Superespecialista é aquele que sabe absolutamente tudo, sobre absolutamente nada.
K. Guia prático para a ciência moderna: Se mexer pertence à biologia. Se feder pertence à química. Se não funciona pertence à física. Se ninguém entende é matemática. Se não faz sentido é economia ou psicologia.
L. Se o curso que você mais desejava fazer só tem 'n' vagas, pode ter certeza de que você será o aluno 'n' + 1 a tentar se matricular.
M. Oitenta por cento do exame final da sua faculdade será baseado na única aula que você perdeu, baseada no único livro que você não leu.
N. Cada professor parte do pressuposto de que você não tem mais o que fazer senão estudar a matéria dele.
O. A citação mais valiosa para a sua redação, será aquela o nome de cujo autor você não consegue lembrar .
P. Se estiver escrito 'Tamanho único' é porque não serve em ninguém.
Q. Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o telefone.
R. A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo, é proporcional ao valor do carpete.
S. O gato sempre cai em pé.
T. Não adianta amarrar o pão com manteiga nas costas do gato e o jogar no carpete. Provavelmente o gato comerá o pão antes de cair... Em pé.
U. A fila ao lado, sempre anda mais rápido.
V. Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.
W. Na guerra, o inimigo ataca em duas ocasiões: quando ele está preparado, e quando você não está.
X. Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto.
Y. Por que será que números errados nunca estão ocupados?
Z. Quando você está trabalhando em algo realmente importante, ninguém está prestando atenção em você. Mas é só você acessar a Internet, ou dar uma olhada em seus e-mails que certamente até o seu chefe entrará em sua sala.... e vai achar que você não tem nada para fazer.
quinta-feira, abril 17, 2008
Luis Fernando Veríssimo
Passei por duras provas para conseguir meu diploma na escola da vida. Mas para entender as mulheres é preciso um estágio. Nesse quesito, eu sou um entusiasta da filosofia gelol: "Não basta ter pau, tem que participar!!!" Por isso, aceitei o desafio de passar um dia com um modess na cueca. A primeira menção do assunto modess me causa uma vontade de gargalhar irracional. Pois eu resolvi que já era hora de encarar esse trauma de forma mais íntima.
O primeiro passo foi comprar a pequena fralda na farmácia. Isso foi fácil. Na verdade, foi até divertido. Fiquei torcendo pra mulher do caixa perguntar, e eu responder de forma bem "casual": "É pra sua namorada???" "Não. É pra mim!!!" Só que ninguém nem tchuns, o que prova que as meninas ficam constrangidas à toa. Na verdade, menstruar é uma parada normal. Acontece nas melhores famílias.
Comprei um não-sei-o-que "mini". Não ligo pra grifes, ainda mais de modess. Mas nesse caso, o que importava era o tamanho. E era mini. Porque, se é pra eu fazer esse papel de usuário de absorventes, pelo menos que eu não passe por arrombado. E a diferença de bitola entre o mini e o super é significativa, o que me fez pensar sobre como algumas mulheres são maiores que as outras...bom. Comprei também um tablete Valda pra dar uma dechavada básica e fui pra casa realizar o sacrifício que me tornaria um membro da classe masculina mais compreensiva com o sexo oposto.
Chegando em casa, fui tentar abrir o pacote. Impulsivo por natureza, o homem não se dá ao trabalho de procurar linhas pontilhadas e, assim sendo, comecei abrindo errado. A abertura na horizontal tem um porquê, se adapta melhor à bolsa e deixa o absorvente mais à mão no caso de uma enxurrada inesperada. Mas eu ignorei, pois não uso bolsa.
Ao retirar a peça do invólucro, você tem que descolar uma abinha para grudar na roupa íntima. Se a menstruação em si não lhe deixar "incomodada", essa almofada intrusa no seu chakra genital com certeza vai. Calculei que o centro do modess ficasse na altura da "terra de ninguém", de forma que ele não invadisse o território peniano. O saco reclamou um pouco, já que não se tratava de uma cueca duplex com teto solar. Um pouco de paciência e um pequeno remanejamento espacial e tudo estava resolvido.
A primeira coisa que se pensa ao compor o modelão usando absorventes externos é: "Será que está marcando?". Por isso é essencial que você faça tudo com a companhia de um aliado. Assim, você vai poder contra com um correspondente nos países baixos, que vai lhe avisar caso o modess cisme em querer se destacar na sua bunda. Ao sair de casa, fingi que não tinha um objeto parasitário ultrajando a minha intimidade. Mas parece que está piscando um outdoor na sua testa avisando "estou de chico". E eu nem tava!!! Que absurdo... Até encontrar seu aliado (a), é sempre bom dar uma conferida nos reflexos que você encontrar pelo caminho, como espelhos e vitrines, pra ver se está marcando.
Dane-se a queda na bolsa de Tóquio ou a reforma ministerial. O que importa é que ninguém perceba que você está aqueles dias. E a preocupação é uma constante. Não dá pra esquecer que seu fundilho está acolchoado.
Ao final de minha jornada, foi um alívio tirar o cuecão e zunir o modess no lixo. Claro que eu tive o cuidado de dobrá-lo e escondê-lo no canto do lixo, antes, envolvendo com muito papel higiênico para que ninguém se deparasse com aquele objeto indesejável depois do almoço. Daí eu entendi por que às vezes tem um montinho de papel enrolado num canto da cestinha do banheiro.Iuch! Se eu tivesse que usar isso a cada ciclo, ia ter uma crise pré-menstrual que ia durar uns trinta dias por mês. E as mulheres nem ganham adicional por insalubridade.
VOCÊS SÃO HEROÍNAS... AMO, ADORO VOCÊS MULHERES MARAVILHOSAS! Agora dá para entender um "pouco" essa tal de TPM!!!!! Aprendi a ser MAIS compreensivo... com vocês. Sintam-se todas acariciadas por mim nestes períodos...
Millor Fernandes
O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional a quantidade de "foda-se!" que ela fala.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!".
O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.
"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já em nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo: "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicinio.
Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente às situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um PHD "porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.
Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai a rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O 'que você fala? "Agora fodeu de vez!".
Liberdade, igualdade, fraternidade e "foda-se!!!".
segunda-feira, abril 14, 2008
Tati Bernardi
O que escrever para a próxima coluna? Listo prováveis assuntos: o mercado de trabalho, homens que cospem catarros horrorosos pelas ruas, minha bunda, sexo sem amor, a necessidade de ter alguém pra chamar de amor, inveja.
Demoro um dia inteiro para me decidir porque sou indecisa.
Não me decido por nenhum porque sou possessiva e filha única: quero todos.
Então vamos lá, seguindo a ordem.
Existe um boato por aí, que publicitário tem a vida mansa e que todos eles são meio loucos. Isso dá uma coceirinha nos estudantes que acham esse papo muito cool e se matriculam aos montes pelas faculdades do país.
Sou redatora publicitária e há dois anos e meio não tenho um salário decente apesar das mais de doze horas trabalhadas por dia. Já mudei de agência seis vezes e já mudei de assunto mais de mil quando amigos e parentes perguntam por que eu não tenho um horário fixo, um salário fixo e um lugar fixo para ir todos os dias.
Aturo a crise mundial, a crise do país, a crise do mercado, a crise do mercado publicitário e a crise de meia-idade de colegas de trabalho com seus leões na mesa, suas baleias em casa e a tara por jovenzinhas deslumbradas e em aprendizado.
O boato da loucura é realidade, ninguém normal atura isso tudo. Quanto a ter a vida mansa, que vão todos para a putaqueupariu antes que eu me esqueça.
Não sei de muitas coisas nesta vida, mas aprendi que entre a paixão e o ódio pela propaganda, tem sempre um catarro.
Vou andando pelas ruas pensando todos os lados bons e ruins da minha profissão: eu crio, eu não tenho um trabalho burocrático, chato, operacional, burro, exato. Eu movimento grana, eu emociono, eu faço as pessoas rirem. Plá, uma catarrada. Eu ganho mal, me deram uma porra de um PC em vez de um Mac, eu fico muito tempo sentada e minha bunda tá horrível, plá, outra catarrada.
Por que diabos esses imundos homens cospem essas melequeiras pelas ruas? Por que diabos? Por que diabos? Como eu odeio isso. ODEIO. Aonde está escrito que o mundo permite essa escatologia exposta à luz do dia? Às vezes é preciso desviar para não sentir respingar resquícios da nojeira no peito do pé. Desejo do fundo do meu coração que todos eles sufoquem entalados com suas crias gosmentas e fiquem tão verdes quanto elas.
Mas ainda mais nojento do que escutar aquela chupada suína que precede o plá da catarrada, é escutar o sugar de tesão de um escroto qualquer que você nunca viu na vida. É aquele suuuuuuuuuuuu delícia, ufffffffffffffffff gostosa.
Não se anima não seu neandertal urbano que o que você está vendo é apenas o poder de uma calça jeans caríssima, que uma redatora publicitária de começo de carreira com seu salário de merda só pode ter comprado em cinco vezes sem juros. Ce não tá vendo querido, que por trás disso é apenas a bunda de uma redatora publicitária que sofre várias crises de mercado e não tem tempo para uma academia?
Tá caída mermão! Já não é mais a mesma. Aliás, isso me lembrou a propaganda, mas este assunto já deu.
E por falar em dar... dar não é fazer amor. Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar, sem querer apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem caras que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora. Durante um mês. Para as mais desavisadas, talvez anos. Mas dar é dar demais e ficar vazia. Dar é não ganhar. É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que cê acha amor?". Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.
Se você for chata, suas amigas perdoam. Se você for brava, as suas amigas perdoam. Até se você for magra, as suas amigas perdoam. Experimente ser amada.
sábado, abril 12, 2008
Tati Bernardi
Ontem depois que você foi embora confesso que fiquei triste como sempre.Mas, pela primeira vez, triste por você.
Fico me perguntando que outra mulher ouviria os maiores absurdos como você, um homem de 32 anos, planejar ir a uma matinê brega com gente sem assunto no próximo domingo e, ainda assim, não deixar de olhar pra você e ver um homem maravilhoso.Que outra mulher te veria além da sua casca?
Você não entende que eu baixei a música do "Midnight Cowboy" e umas boas do Talking Heads, Vinícius de Morais e do Smiths porque achei divertido te fazer uma massa ouvindo algumas músicas que dão vontade de viver. Uma massa que você não vai comer porque está perdendo o paladar para o que a vida tem de verdadeiro e bom. É tanta comida estragada, plastificada e sem sal, que você está perdendo o paladar para mulheres como eu. E você não sabe como vale a pena gostar de alguém e acordar na casa dessa pessoa e tomar suco de manga lendo notícias malucas no jornal como o cara que acha que é vampiro. Tudo sem vírgula mesmo e, nem por isso, desequilibrado ou antes da hora.Você não sabe como isso é infinitamente melhor do que acordar com essa ressaca de coisas erradas e vazias.
Ou sozinho e desesperado pra que algum amigo reafirme que o seu dia valerá a pena. Ou com alguma garotinha boba que vai namorar sua casca. A casca que você também odeia e usa justamente para testar as pessoas "quem gostar de mim não serve pra mim".E eu tenho vontade de segurar seu rosto e ordenar que você seja esperto e jamais me perca e seja feliz. E entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz.
A gente dá muitas risadas juntos. A gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho. A gente acha que o mundo está maluco e sonha com a praia do Espelho e com sonos jamais despertados antes do meio-dia. A gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. A gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida.E você me olha com essa carinha banal de "me espera só mais um pouquinho". Querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre volta.Volta porque pode até ter uma coxa mais dura. Pode até ter uma conta bancária mais recheada. Pode até ter alguma descolada que te deixe instigado. Mas não tem nenhuma melhor do que eu. Não tem.
Porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. E, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. E, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. E, quando está longe de casa gosta de ouvir minha voz pra se sentir perto de você. E, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. Eu sei de tudo. E eu passei os últimos anos escrevendo sobre como você era especial e como eu te amava e isso e aquilo. Mas chega disso.
Caiu finalmente a minha ficha do quanto você é, tão e somente, um cara burro. E do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que procura. E do quanto a sua felicidade sem mim deve ser pouca pra você viver reafirmando o quanto é feliz sem mim e principalmente viver reafirmando isso pra mim. Sabe o quê?
Eu vou para a cama todo dia com 5 livros e uma saudade imensa de você. Ao invés de estar por aí caçando qualquer mala na rua pra te esquecer ou para me esquecer. Porque eu me banco sozinha e eu me banco com um coração. E não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso. E eu malho todo dia igual a essas suas amiguinhas de quem você tanto gosta, mas tenho algo que certamente você não encontra nelas: assunto.Bastante assunto.
Eu não faço desfile de moda todos os segundos do meu dia porque me acho bonita sem precisar de chapinha, salto alto e peito de pomba.Eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira. Pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos.Também sou convidada para essas festinhas com gente "wanna be" que você adora.
Mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado.
quinta-feira, março 20, 2008
Pedro Bial
Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos,parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada,estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena,mas nada acontecia ali de risível, era só dor e a perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte por si só, é uma piada pronta. A morte é ridículo.Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário.Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório...Colocar gasolina no carro e no meio da tarde...MORRE.Como assim?E os e-mails que você ainda não abriu?O livro que ficou pela metade?O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:MORRER...A troco de que?Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas não desistiu.Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de duvidas quanto à profissão escolhida...Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outro, tudo isso termina...Numa colisão na freeway...Numa artéria entupida...Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis...Qual é?
Morrer é um chiste.Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas...Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.Logo você que dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manha.Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito...Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo...Já não há muito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. ok, hora de descansar em paz.Mas antes de viver tudo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.Morrer é um exagero.E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.Só que esta não tem graça.Por isso viva tudo que há para viver.Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida...Perdoe...Sempre!!
