sexta-feira, abril 30, 2004

::: Alguém prá Hoje :::
Márvio dos Anjos

Quantos corações ainda terei que machucar até que o meu se satisfaça enfim?
Quantos corações ainda terei que machucar até que o meu se satisfaça enfim?
Em quantas relações ainda vou me entregar? E o que vai sobrar depois de mim?
Por enquanto eu quero me enganar sozinho mas se alguém cruzar hoje o meu caminho...

Hoje eu quero alguém que não me peça o telefone
Hoje eu quero alguém pra hoje
Alguém que em condições normais eu nem pedisse as horas
Mas que me dê tudo o que eu preciso agora

Hoje eu quero alguém que não pergunte o meu nome
Nem queira saber aonde vou estar
Pode ser egoísmo, posso ser até covarde
Mas só como estou eu posso melhorar

Um crime perfeito, sem vítimas e sem culpados
E tudo sempre como sempre foi
(como sempre foi)

Hoje eu quero alguém que não me peça o telefone
Hoje eu quero alguém pra hoje
Alguém que em condições normais eu nem pedisse as horas
Mas que seja tudo o que eu preciso agora

Hoje eu quero alguém que não me peça o telefone
Hoje eu quero alguém pra hoje
Alguém que em condições normais eu nem pedisse as horas

Mas que me dê tudo que eu preciso
Mas que faça tudo o que eu preciso
Mas que seja tudo o que eu preciso agora

quinta-feira, abril 29, 2004

::: O Mundo dá Voltas :::
Enviado por e-mail pelo Guga (meu ex-namorado)

Desabafo de um ex-namorado de uma ex-menina boazinha

Quem transforma as mulheres em galinhas... são os próprios homens. Tudo bem. Queremos meninas legais, sexys, taradas, bonitas,inteligentes e boazinhas...
Muito fácil falar, pois quando aparece uma assim, de bandeja, a primeira coisa que a gente pensa é: Oba, me dei bem. Ficamos com elas uma vez, duas.
Começamos a pensar que essa é a mulher que as nossas mães gostariam de ter como noras. Se sair um namoro, vai ser uma relação estável. Você vai
buscá-la na na faculdade, vocês vão no cinema, num barzinho, vai ter sexo toda a semana...
Tudo básico, até virar uma rotina sem graça...
Você vai olhar os caras bem vestidos e bem humorados indo pra noite arrasar com a mulherada e vai morrer de inveja. Vai sentir falta de dar aquelas cantadas infalíveis na noite, falta de dar umas olhadas pra uma gata, ou de dar aquela dançadinha mais provocativa na pista...
Você pensa: Acho que não estou pronto pra isso, pra me enclausurar pro resto da vida nesse namoro. E a boa menina se transforma numa mala, e aos poucos vai surgindo um nojo dela, uma aversão. Quando tu vê o nome dela no celular, não dá vontade de atender... JÁ ERA. Daí aquela promessa de vida estável vai por água a baixo, se a menina não se dá conta, a gente começa a ser grosso, muito grosso. E a pobre menina pensa: O que eu fiz??
Coitada, ela não fez nada, a culpa é nossa mesmo... Aí, a gente volta pra nossa vidinha, que a gente odiava até semanas atrás.
A gente não vê a hora de sair e arrasar na noite... Grande ilusão. Você chega em casa depois da balada, sozinho e fica tentando descobrir porque você não está satisfeito. De repente foi porque a menina da night, a linda, gostosa, misteriosa, ficou contigo, passou a mão, rolou algo mais, mas nem sequer pediu o número do teu telefone.

FRUSTRAÇÃO.

Daí, por mais que você não queira, você pensa na sua menina boazinha que você deixou pra trás...
Enquanto isso, a boa menina, chateada, lesada, custa a entender o que ela fez pra ter te afastado dela... Daí essa dúvida vira angústia, que vira raiva.
Aí a menina manda tudo a p$?#..que pariu... Não quer mais saber de nada, só de sair beijando muito cara. Resolve não se envolver mais, pra não sair lesada, chutada ou chateada... Muito bem, acabamos de criar uma monstra... O tempo passa e a gente continua na mesma... Volta a reclamar da vida e das mulheres. Elas só querem as coisas com homens cachorros e não estão nem aí pra nós... Elas são assim por culpa nossa.
A mulher vulcão da night de hoje, era a boa menina de outro homem ontem... e assim sucessivamente...Provavelmente, essa nossa ex-boa menina, deve estar enlouquecendo a cabeça de outro homem por aí... E eu a perdi para sempre, ela virou uma mulher enlouquecedora e a encontrei na balada e nem olhou para mim.

Ass: Ex namorado arrependido

sexta-feira, abril 23, 2004

::: Me Encante :::
Enviado por e-mail pelo Guga

Me encante da maneira que você quiser,como você souber.

Me encante para que eu possa me dar.

Me encante nos mínimos detalhes.

Saiba me sorrir, aquele sorriso malicioso e gostoso,
inocente e carente.

Me encante com suas mãos, gesticule quando for preciso,
me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser, vou fingir que não entendo,
que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos, me olhe profundo,
mas só por um segundo,depois desvie o seu olhar,
como se o meu olhar,
não tivesse conseguido te encantar....e então, volte a me fitar,
tão profundamente, que eu fique perdida sem saber o que falar.

Me encante com suas palavras,
me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres,
me conte segredos, sem medos.

...e depois me diga o quanto eu te encantei,
pode até não ser verdade, mas me faça acreditar, eu vou gostar.

Me encante com serenidade, mas não se esqueça,
também tem que ser com simplicidade, não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma, não tenha pressa,
tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com a primeira namorada,
sem subterfúgios,sem cálculos,sem dúvidas, com certezas.

Me encante na calada da madrugada,
na luz do sol ou embaixo da chuva.

Me encante sem dizer nada ou até dizendo tudo,
sorrindo ou chorando, triste ou alegre...mas me encante de verdade,
com vontade...que depois,
eu te confesso que me apaixonei e prometo te encantar todos os dias,
do resto das nossas vidas!!
::: O Dia Que Não Terminou :::
Detonautas

Me sinto tão estranho aqui
Que mal posso me mexer irmão
No meio dessa confusão
Não consigo encontrar ninguém
Onde foi que você se meteu então?
Tô tentando te encontrar,
tô tentando me entender
As coisas são assim

Meus olhos grandes de medo revelam a solução
Meu coração tem segredos que movem a solidão

Me sinto tão estranho aqui
Diferente de você irmão.
A sua forma em distorção
Não pareço com ninguém sei lá
Pois eu sei que nós temos o mesmo destino então
Tô tentando me encontrar
Tô tentando me entender
Porque tá tudo assim?

Meus olhos grandes de medo revelam a solução
Meu coração tem segredos que movem a solidão

Quem de nós vai insistir e não
Se entregar sem resistir então
Já não há mais pra onde ir
Se entregar a solidão e não

domingo, abril 18, 2004

::: Desencontros :::
Li nesse site

Ainda não foi dessa vez
Que eu encontrei a pessoa
Que olha como eu
Que ri como eu
Que chora como eu
Que beija como eu

Só vejo pessoas erradas
Que sofrem como eu
Que odeiam como eu
Que machucam como eu
Que humilham como eu

No meio da multidão
Nem todos são diferentes
Talvez eu seja uma aberração
Sentimentos não estão presentes
É uma povoada solidão

A chave do meu coração
É um nefelibata que não existe
Pessimistas todos são
Mas alguém que persiste
Que não agüente essa abnegação
Espero nesse mundo triste
Alguém que procure como eu

quinta-feira, abril 15, 2004

::: Questões :::
Ana Paula Mangeon

"Não entendo se você é a parte que me falta
ou se eu sou o muito que lhe sobra."

quarta-feira, abril 14, 2004

::: Desabafo de um carioca :::
Silvio Reis

Escreve um cidadão

"Prezada Governadora,
Eu não acredito que a senhora ou o seu marido sejam capazes de enfrentar o problema da segurança pública no Rio de Janeiro. Não digo resolver, afinal são muitos anos de descaso de governos anteriores como o do padrinho politico do seu marido, o Sr Leonel Brizola, digo enfrentar, mostrar trabalho.

Até o momento o seu marido só se apresenta para patetices como a do caso Staheli e agora na semana santa o que vemos? Uma guerra entre os narcotraficantes que simplesmente ignoraram a policia e a senhora e o seu marido estavam de folga em Angra dos Reis e mandaram dizer pela assessoria de imprensa que não iriam falar por estar de férias. O Rio explodindo, a imprensa só falou da Rocinha mas na Tijuca se ouviram tiros durante toda a noite também, e a senhora e o seu marido de férias.

É inadmissivel este desrespeito que a senhora e o seu marido tem pelo Rio de Janeiro. É insuportável, é irritante, é absurdo, é angustiante enfrentar esse seu despraro e do seu marido, é angustiante tê-los como governadores do RJ.

Todas as noites espero angustiado a minha mulher voltar do trabalho, corro angustiado para casa para acalmá-la, e só vejo meu sofrimento piorar como o do caso da vizinha que foi sequestrada (e dane-se as firulas dos seus advogados imorais, é sequestro!!!) e morta em São Gonçalo.

Estou cansado da sua cara de deboche e da cara de falsidade do seu marido. Estou cansado de vocês. E nunca pensei que fosse capaz de fazer algo em relação a isso mas eu vou fazer o todos devem fazer: Lutar politicamente para expulsá-los da vida politica para sempre. Quero o casal Garotinho longe do meu Rio de Janeiro, quero vocês longe daqui e vou fazer isso pelo meu voto e pelo voto de milhares de pessoas que como eu estão indignadas com essa situação vergonhosa.

EU VOU LUTAR POLITICAMENTE PELO ENTERRO POLITICO DO CASAL GAROTINHO!

SUMAM DA NOSSA VIDA.

Não quero saber o que vocês vão fazer, não quero saber do seu cabelo, da sua igreja, só quero que vocês não ocupem nunca mais nenhum cargo publico.

BASTA!!!

E espero encontrar apoio em qualquer lugar, não me interessa saber de quem é o apoio, aceito apoio do DIABO para tirá-los da vida pública da minha Cidade Maravilhosa. Só temo que ele já seja aliado do casal Garotinho.

Os eventos da sexta-feira santa me deixaram atônito com o despreparo e com o perigo real de guerrilha urbana entre os grupos narcoterroristas.

Peço desculpas aos amigos para quem estou enviando uma copia (oculta) deste desabafo. Conto com o apoio de vocês.

ADEUS!

Atenciosamente,

Silvio Reis"

terça-feira, abril 13, 2004

::: Against All Odds - Take a Look at Me Now :::
Phill Collins

How can I just let you walk away
Just let you leave without a trace
When I stand here taking every breath with you, oh oh
You're the only one who really knew me at all
How can you just walk away from me
when all I can do is watch you leave
'cause we've shared the laughter and the pain and even shared the tears
You're the only one who really knew me at all

So take a look at me now
There's just an empty space
And there's nothing left here to remind me
Just the memory of your face
Oh take a look at me now
Oh there's just an empty space
And you coming back to me is against the odds
And that's what I've got to face
I wish I could just make you turn around
Turn around and see me cry
There's so much I need to say to you, so many reasons why
You're the only one who really knew me at all

So take a look at me now
There is just an empty space
And there's nothing left here to remind me
Just the memory of your face
Now take a look at me now
'cos there's just an empty space
But to wait for you, it's all I can do
and that's what I've got to face

Take a good look at me now !!
'cause I'll still be standing here
And you coming back to me is against all odds
It's the chance I've got to take...

Take a look at me now...
::: Azar o seu:::
Tatiane Bernardi

A carência é a nossa pior inimiga

Terminou assim, com um e-mail dele que dizia: azar o seu. Azar o meu o quê? Nunca mais sair com um homem que só me deixava com saudades de sair com um homem de verdade?
Minhas amigas, vou lhes dizer: a carência é nossa inimiga número um. Você já parou para pensar nas besteiras que faz por carência? Liga pra relacionamentos falidos, dá bola pra babacas e o pior: se bobear até acaba abrindo as pernas para um deles.
Tá carente? Pega uma amiga sua que também está e passa uma tarde tentando entender por que os homens são tão idiotas e mesmo assim fazem tanta falta. Você não vai chegar a conclusão nenhuma, mas pelo menos passou a tarde com alguém que, assim como você, tem cérebro. E sentimentos.
Essa é uma dica importante, mas a mais importante é a que vem agora. Preste bastante atenção.
Ele é moreno, tem olhos azuis, usa camisetinhas “mamãe quero ser forte” e fala francês. Oui, mon cherry, e fala o tempo todo, pra mostrar que é fino e cult. Mas só consegue mostrar o quanto um pouco mais de macheza lhe cairia bem.
Fuja, saia correndo, nem cumprimente. E se você for homem e estiver a fim de dar uma catarrada na rua, espere ele passar por perto.
E eu, minhas amigas, que vos escrevo textos com pitadas de uma certa experência de vida. Eu que analiso o comportamento humano com paixão e tenho, depois de algumas desilusões, todos os pés atrás com a raça. Eu que gosto de saber aonde estou pisando e apenas me deixo sobrevoar a espécie quando o macho se mostra apaixonante o suficiente para me dar asas. Eu caí no conto do vigário e agora sinto sobras de invasão neste meu território tão sagrado.
Quem nunca deu para o cara errado que atire a primeira pedra! Mas atira logo porque eu tô com raiva minha.
Sim, este texto é escrito com orgulho ferido. Mas está longe de ser escrito com o coração machucado. Entendam, por favor. Não sinto saudades e tampouco falta. Sinto é raiva de um mala desses ter ousado desaparecer. Quem ele pensa que é? Quem tinha que ter dado o fora era eu! Francamente!
Preste bastante atenção para não cometer o mesmo erro:
Ele usa um chinelinho homossexual, mesmo com as roupas mais finas. Ele fala com entonação retardada frases debilóides do tipo “tá com fominha?”, “pára, bobinha”. Usa aquele colarzinho “sou um rico descolado que ama a natureza” estilo Luciano Huck , penteia um topete “trabalho em firma” de lado, achando que arrasa com um estilo amante latino a moda antiga e, como todo garoto mimado, perdido e metido a artista, ele acha que é fotógrafo.
Ah, e ele não gosta dos amigos: ele ama os amigos. E ele não comenta que foi com os amigos no futebol ou beber cerveja: ele ama os amigos.
Quem nunca deu para o cara errado que atire a primeira pedra! Mas atire nele pra ver se ele grita fino.
Estou triste porque por alguns milésimos de segundos, que foram tão rápidos quanto o seu desempenho sexual e tão enganadores quanto o seu fôlego sexual, eu quase achei que ele fosse bacana. Por que é tão difícil achar alguém realmente bacana? E melhor: por que enquanto a gente não acha alguém bacana, a gente não simplesmente aceita a vida morna e pára de ficar se enganando que qualquer babaca é bacana? E mais: por que pagar pra ver, e descobrir que não tinha nada que valesse a pena ver, incomoda tanto?
Eu com essas perguntas tô quase virando a mulher do Sex and The City.
Deixemos clara a putaria minha gente! Pra que gastar dinheiro em jantares românticos, pra que assistir a filmes que vão além da inteligência sufocada num bracinho forte com a tatuagem à mostra? Pra que mostrar fotos da família? Sim, ele é bonito, ele, de boca calada, tem bastante chance de comer uma ou outra mulher mais espertinha que esteja, no momento, sem nada melhor pra fazer e querendo dar uma relaxada.
É simples. Mulher também faz sexo por sexo, não queremos casar e morar numa casa com cerquinha branca o tempo todo. Sejam sinceras. Agora não venha subestimar nossa inteligência com romance barato até levar-nos para a cama. Não nos leve para a cama com promessas e não ligue no dia seguinte. Isso é herança da época em que ficávamos em casa ganhando peso e imaginando nossos maridos com amantes peitudas e não do tempo atual em que somos as amantes peitudas.
Tá dado o recado, tá vomitada a revolta, tá levantada a pergunta: por que homens como esses ainda são chamados de “típicos” machos se não passam de “típicas” fêmeas?

sexta-feira, abril 09, 2004

::: Não Uso Sapato :::
Charlie Brown Jr.

É assim que é...
Eu vou mudar, tudo que não me convém
Hoje tenho tudo que podia querer, mas,
Dinheiro não é tudo tenho muito a fazer.
Quem não respeita o pai, não respeita ninguém
Porque um homem de verdade vai ser pai também,
Ame seu pai, mesmo se ele for um porco capitalista.

Eu não sei fazer poesia... Mas que se foda!
Eu odeio gente chique eu não uso sapato... Mas que se foda!

Hoje você pixa quem já te ajudou,
E vem falando mal de quem já te fortaleceu.
Mas um homem de verdade não se faz com palavras,
Você perdeu a moral e quem perdeu, perdeu.
Se você pisar na bola, aí rapa você vai ser cobrado.
E se você pisar na bola, aí moleque tu vai ser cobrado.

Eu não sei fazer poesia... Mas que se foda!
Eu odeio gente chique eu não uso sapato... Mas que se foda!
Eu odeio hipocrisia... Mas que se foda!
Eu odeio gente chique eu não uso sapato... Mas que se foda!

sexta-feira, abril 02, 2004

::: Desafios :::

Os japoneses sempre adoraram peixe fresco. Porém as águas perto do Japão não produzem muitos peixes há décadas. Assim, para alimentar a sua população, os japoneses aumentaram o tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe do que nunca. Quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo levava para o peixe chegar. Se a viagem de volta levasse mais do que alguns dias, o peixe já não era mais fresco. E os japoneses não gostaram do gosto destes peixes.

Para resolver este problema as empresas de pesca instalaram congeladores em seus barcos. Eles pescavam e congelavam os peixes em alto-mar. Os
congeladores permitiram que os pesqueiros fossem mais longe e ficassem em
alto mar por muito mais tempo.

Os japoneses conseguiram notar a diferença entre peixe fresco e peixe
congelado, e é claro, eles não gostaram do peixe congelado. Entretanto, o peixe congelado tornou os preços mais baixos.

Então as empresas de pesca instalaram tanques de peixe nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar e enfiar esses peixes nos tanques, "como sardinhas". Depois de certo tempo, pela falta de espaço, eles paravam de se debater e não se moviam mais. Eles chegavam cansados e abatidos, porém, vivos.

Infelizmente, os japoneses ainda podiam notar a diferença do gosto. Por não se mexerem por dias, os peixes perdiam o gosto de frescor. Os japoneses preferiam o gosto de peixe fresco e não o gosto de peixe apático.

Então, como os japoneses resolveram este problema? Como eles conseguiram
trazer ao Japão peixes com gosto de puro frescor? Se você estivesse dando consultoria para a empresa de pesca, o que você recomendaria?

Quando as pessoas atingem seus objetivos tais como, quando encontram
uma namorada maravilhosa, começam com sucesso numa empresa nova, pagam
todas suas dívidas ou o que quer que seja, elas podem perder as suas
paixões. Elas podem começar a pensar que não precisam mais trabalhar tanto, então relaxam. Elas passam pelo mesmo problema que os ganhadores de loteria que gastam todo seu dinheiro, o mesmo problema de herdeiros que nunca crescem e de donas de casa, entediadas, que ficam dependentes de remédios de tarja preta.

Para esses problemas, inclusive no caso dos peixes dos japoneses, a solução é bem simples. L. Ron Hubbard observou no começo dos anos 50. "O homem progride, estranhamente, somente perante a um ambiente desafiador".
Quanto mais inteligente, persistente e competitivo você é, mais você
gosta de um bom problema.

Se seus desafios estão de um tamanho correto e você consegue, passo a
passo, conquistar esses desafios, você fica muito feliz. Você pensa em seus desafios e se sente com mais energia. Você fica excitado em tentar novas soluções. Você se diverte. Você fica vivo!

Para conservar o gosto de peixe fresco, as empresas de pesca japonesas
ainda colocam os peixes dentro de tanques. Mas, eles também adicionam um
pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão come alguns peixes, mas a maioria dos peixes chega "muito vivo". Os peixes são desafiados.

Portanto, ao invés de evitar desafios, pule dentro deles. Massacre-os.
Curta o jogo. Se seus desafios são muito grandes e numerosos, não desista.
Se reorganize! Busque mais determinação, mais conhecimento e mais ajuda.

Se você alcançou seus objetivos, coloque objetivos maiores. Uma vez que
suas necessidades pessoais ou familiares forem atingidas, vá de encontro
aos objetivos do seu grupo, da sociedade e até mesmo da humanidade. Crie
seu sucesso pessoal e não se acomode nele.

Você tem recursos, habilidades e destrezas para fazer diferença.

Então, ponha um tubarão no seu tanque e veja quão longe você realmente
pode chegar.

quinta-feira, abril 01, 2004

::: Garotos II:::
Leoni

Seus olhos e seus olhares
Milhares de tentações
Meninas são tão mulheres
Seus truques e confusões
Se espalham pelos pêlos
Boca e cabelo
Peitos e poses e apelos
Me arragam pelas pernas
Certas mulheres como você
Me levam sempre onde querem
Garotos não resistem
Aos seus mistérios
Garotos nunca dizem não
Garotos como eu
Sempre tão espertos
Perto de uma mulher
São só garotos
Seus dentes e seus sorrisos
Mastigam meu corpo e juízo
Devoram os meus sentidos
Eu já não me importo comigo
Então são mãos e braços
Beijos e abraços
Pele, barriga e seus laços
São armadilhas e eu
não sei oque faço
Aqui de palhaço
Seguindo seus passos
Garotos não resistem
Aos seus mistérios
Garotos nunca dizem não
Garotos como eu
Sempre tão espertos
Perto de uma mulher
São só garotos.....

sexta-feira, março 26, 2004

::: Desconstruções:::
M. Medeiros

Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem. A imagem tem a ver com as nossas expectativas e mais ainda com o que ela "vende" de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se a pessoa for parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se dela, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você acreditou, virá um processo mais lento: a de desconstrução daquilo que você achou que era real.
Desconstruindo Ana, desconstruindo Marcos, desconstruindo Carla. Milhares de pessoas vivem seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão "desconstruindo ilusões". Tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas, manias e imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, sem entender absolutamente nada.
Quem se apaixonou por uma mentira, tem que desconstruí-la para "desapaixonar". É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento bacana não chegou a existir, que tudo não passou de uma representação. Talvez até não tenha sido por mal... pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa.
Sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé. Afinal, todos, resistimos muito a aceitar que alguém que gostamos não é, e nem nunca foi, ESPECIAL.

quarta-feira, março 24, 2004

::: Reverência ao Destino :::
Carlos Drummond de Andrade

"Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata."

quinta-feira, março 18, 2004

::: MAU HUMOR :::
Lula Vieira


Não me lembro direito, mas li numa revista, acho que na Carta Capital, um artigo levantando a hipótese de que todo o cara que tem mania de fazer aspas com os dedinhos quando faz uma ironia é um chato. Num outro artigo alguém escreveu que achava que jamais tinha conhecido um restaurante de boa
comida com garçons vestidos de coletinho vermelho.

Joaquim Ferreira dos Santos, em "O Globo" de domingo, fala do seu profundo preconceito com quem usa "agregar valor". Eu posso jurar que toda mulher que anda permanentemente com uma garrafinha de água e fica mamando de segundo em segundo é uma chata. São preconceitos, eu sei. Mas cada vez mais a vida está confirmando estas conclusões. Um outro amigo meu jura que um dos maiores indícios de babaquice é usar o paletó nos ombros, sem os braços nas mangas. Por incrível que pareça, não consegui desmentir. Pode ser
coincidência, mas até agora todo cara que eu me lembro de ter visto usando o paletó colocado sobre os ombros é muito babaca. Já que estamos nessa onda, me responda uma coisa: você conhece algum natureba radical que tenha conversa agradável? O sujeito ou sujeita que adora uma granola, só come coisas orgânicas, faz cara de nojo à simples menção da palavra "carne", fica falando o tempo todo em vida saudável é seu ideal como companhia numa madrugada? Sei lá, não sei. Não consigo me lembrar de ninguém assim que tenha me despertado muita paixão.

Eu ando detestando certos vícios de linguagem, do tipo "chegar junto", "superar limites", essas bobagens que lembram papo de concorrente a big brother. Mais uma vez, repito: acho puro preconceito, idiossincrasia, mas essa rotulagem imediata é uma mania que a gente vai adquirindo pela vida e que pode explicar algumas antipatias gratuitas.

Tem gente que a gente não gosta logo de saída, sem saber direito por quê.
Vai ver que transmite algum sintoma de chatice. Tom de voz de operador de telemarketing lendo o script na tela do computador e repetindo a cada cinco palavras a expressão "senhoooorrr" me irrita profundamente.

Se algum dia eu matar alguém, existe imensa possibilidade de ser um flanelinha. Não posso ver um deles que o sangue sobe à cabeça. Deus que me perdoe, me livre e me guarde, mas tenho raiva menor do assaltante do que do cara que fica na frente do meu carro fazendo gestos desesperados tentando
me ajudar em alguma manobra, como se tivesse comprado a rua e tivesse todo o direito de me cobrar pela vaga.

Sei que estou ficando velho e ranzinza, mas o que se há de fazer? Não suporto especialista em motivação de pessoal que obrigue as pessoas a pagarem o mico de ficar segurando na mão do vizinho, com os olhos fechados e tentando receber "energia positiva". Aliás, tenho convicção de que
empresa que paga bons salários e tem uma boa e honesta política de pessoal não precisa contratar palestras de motivação para seus empregados. Eles se motivam com a grana no fim do mês e com a satisfação de trabalhar numa boa empresa. Que me perdoem todos os palestrantes que estão ficando ricos percorrendo o país, mas eu acho que esse negócio de trocar fluidos me lembra putaria.

E para terminar: existe qualquer esperança de encontrar vida inteligente numa criatura que se despede mandando "um beijo no coração"?

segunda-feira, março 15, 2004

::: Blurry :::
Puddle Of Mudd

Everything’s so blurry
And everyone's so fake
And everybody’s empty
And everything is so messed up
Pre-occupied without you
I cannot live at all
My whole world surrounds you
I stumble then I crawl

You could be my someone
You could be my scene
You know that I’ll protect you
From all of the obscene
I wonder what you're doing
Imagine where you are
There’s oceans in between us
But that’s not very far

Can you take it all away?
Can you take it all away?
When ya shoved it in my face?
This pain you gave to me
Can you take it all away?
Can you take it all away?
When ya shoved it in my face?

Everyone is changing
There’s no one left that’s real
So make up your own ending
And let me know just how you feel
'Cause I am lost without you
I cannot live at all
My whole world surrounds you
I stumble then I crawl

You could be my someone
You could be my scene
You know that I will save you
From all of the unclean
I wonder what you're doing
I wonder where you are
There’s oceans in between us
But that’s not very far


Can you take it all away?
Can you take it all away?
When ya shoved it in my face?
This pain you gave to me
Can you take it all away?
Can you take it all away?
When ya shoved it in my face?
This pain you gave to me

Oh, Nobody told me what you thought
Nobody told me what to say
Everyone showed you where to turn
Told you where to run away
Nobody told you where to hide
Nobody told you what to say
Everyone showed you where to turn
Showed you where to run away

Can you take it all away?
Can you take it all away?
When ya shoved it in my face?
This pain you gave to me
Can you take it all away?
Can you take it all away?
When ya shoved it in my face?
This pain you gave to me

No, this pain you gave to me
Take it all away
Take it all away
Pain ya gave to me
Take it all away
This pain you gave to me
Take it all away
This pain you gave to me

quarta-feira, março 10, 2004

::: Behind Blue Eyes :::
Limp Bizkit

No one knows what it’s like
to be the bad man
to be the sad man
behind blue eyes
and no one knows
what it’s like to be hated
to be faded to telling only lies

but my dreams they aren’t as empty
as my conscious seems to be
i have hours, only lonely
my love is vengeance
that’s never free
no one knows what its like
to feel these feelings
like i do, and i blame you!
no one bites back as hard
on their anger
none of my pain woe
can show through

no one knows what its like
to be mistreated, to be defeated
behind blue eyes
no one know how to say
that they’re sorry and don’t worry
i’m not telling lies

no one knows what its like
to be the bad man, to be the sad man
behind blue eyes.

terça-feira, março 09, 2004

::: Pescador de Ilusões :::
O Rappa

Se meus joelhos não doessem mais
Diante de um bom motivo
Que me traga fé, que me traga fé
Se por alguns segundos eu observar
E só observar
A isca e o anzol, a isca e o anzol
A isca e o anzol, a isca e o anzol
Ainda assim estarei pronto pra comemorar
Se eu me tornar menos faminto
Que curioso, que curioso
O mar escuro trará o medo lado a lado
Com os corais mais coloridos

Valeu a pena, eh eh
Valeu a pena, eh eh
Sou pescador de ilusões
Sou pescador de ilusões

Se eu ousar catar
Na superfície de qualquer manhã
As palavras de um livro sem final
Sem final, sem final, sem final, final

Se eu ousar catar
Na superfície de qualquer manhã
As palavras de um livro
Sem final, sem final
Sem final, sem final, final

quarta-feira, março 03, 2004

::: Quando a Morte é Vida:::

Num artigo muito interessante, Paulo Angelim que é arquiteto, pós-graduado em Marketing dizia mais ou menos o seguinte: Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte e nós precisamos morrer todo dia (!!!). A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação.

Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio! A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo. É a fronteira entre o passado e o futuro.

Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente. Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas.

Quer ter um bom relacionamento então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinhos, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém.

Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" inferior. E, qual o risco de não agirmos assim? O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso.

Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam. Acabam se transformando em projetos inacabados.

Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não matemos virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade etc. Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar pensamentos infantis, para passarmos a pensar como adultos.

Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e mais evoluído? Então, o que você precisa matar em si ainda hoje para que nasça o ser que você tanto deseja ser?

Pense nisso e morra! Mas, não esqueça de nascer ainda melhor!
::: Metal Contra as Nuvens :::
Legião Urbana

Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se defaz.

Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói.
Estes são dias desleais.

Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.

Reconheço o meu pesar:
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.

Minha terra é a terra que é minha
E sempre será minha terra
Tem a lua, tem estrelas e sempre terá.

Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.

Quase acreditei, quase acreditei.

E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
Há quem se alimente do que é roubo.

Vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.

Olha o sopro do dragão.

É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez o que destrói.

Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais.
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.

Esta é a terra-de-ninguém
E sei que devo resitir-
Eu quero a espada em minhas mãos.

Sou metal - raio, relâmpago e trovão.
Sou metal: eu sou o ouro em seu brasão.
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.

Não me entrego sem lutar -
Tenho ainda coração.
Não aprendi a me render:
Que caia o inimigo então.

- Tudo passa, tudo passará.

E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer.
Não olhe para trás -
Apenas começamos.

O mundo começa agora -
Apenas começamos.
::: Edgar :::
Luís Fernando Veríssimo
Já deve ter acontecido com você.

— Não está se lembrando de mim?

Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele esta ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando sua resposta. Lembra ou não lembra?

Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir.

Um, curto, grosso e sincero.

— Não.

Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O "Não" seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos entre pessoas educadas. Você deveria ter vergonha. Passe bem. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem. Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.
— Não me diga. Você é o... o...

"Não me diga", no caso, quer dizer "Me diga, me diga". Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com sua agonia. Ou você pode dizer algo como:

— Desculpe, deve ser a velhice, mas...

Este também é um apelo à piedade. Significa "não tortura um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!". É uma maneira simpática de você dizer que não tem a menor idéia de quem ele é, mas que isso não se deve a insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.

E há um terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.

— Claro que estou me lembrando de você!

Você não quer magoá-lo, é isso! Há provas estatísticas de que o desejo de não magoar os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo, depois de dizer a frase não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:

— Há quanto tempo!

Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.

— Então me diga quem sou.

Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, e falsamente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e dizer apenas:

— Pois é.

Ou:

— Bota tempo nisso.

Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem será esse cara meu Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas no meio da poeira e das teias de aranha do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como jabs verbais.

— Como cê tem passado?

— Bem, bem.

— Parece mentira.

— Puxa.

(Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? Quem é esse cara, meu Deus?)

Ele esta falando:

—Pensei que você não fosse me reconhecer...

—O que é isso?!

—Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.

—E eu ia esquecer de você? Logo você?

—As pessoas mudam. Sei lá.

— Que idéia. (é o Ademar! Não, o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O... o... como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica. Rezende! Mas como saber se ele tem uma perna mecânica? Você pode chutá-lo amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta as duas. "Que bom encontrar você!" e paf, chuta uma perna. "Que saudade!" e paf, chuta a outra. Quem é esse cara?)

— É incrível como a gente perde contato.

— É mesmo.

Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.

— Cê tem visto alguém da velha turma?

— Só o Pontes.

— Velho Pontes! (Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, Pontes...)

— Lembra do Croarê?

— Claro!

— Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.

— Velho Croarê. (Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide esquecer toda cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)

— Rezende...

— Quem?

Não é ele. Pelo menos isto esta esclarecido.

— Não tinha um Rezende na turma?

— Não me lembro.

— Devo esta confundindo.

Silêncio. Você sente que esta prestes a ser desmascarado.

Ele fala:

— Sabe que a Ritinha casou?

— Não!

— Casou.

— Com quem?

— Acho que você não conheceu. O Bituca. (Você abandonou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame é inevitável, que ele seja total, arrasador . Você esta tomado por uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que não conhece o Bituca?)

— Claro que conheci! Velho Bituca...

— Pois casaram.

É a sua chance. É a saída. Você passou ao ataque.

— E não avisou nada?

— Bem...

— Não. Espera um pouquinho. Todas essas acontecendo, a Ritinha casando com o Bituca, O Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?

— É que a gente perdeu contato e...

— Mas meu nome tá na lista meu querido. Era só dar um telefonema. Mandar um convite.

— É...

— E você acha que eu ainda não vou reconhecer você. Vocês é que se esqueceram de mim.

— Desculpe, Edgar. É que...

— Não desculpo não. Você tem razão. As pessoas mudam. ( Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima idéia de quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele esta na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de "Já?!".)

— Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?

— Certo, Edgar. E desculpe, hein?

— O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.

— Isso.

— Reunir a velha turma.

— Certo.

— E olha, quando falar com a Ritinha e o Manuca...

— Bituca.

— E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?

— Tchau, Edgar!

Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer "Grande Edgar". Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém lhe perguntar "Você está me reconhecendo?" não dirá nem não. Sairá correndo.

Texto extraído do livro "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 13.

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

::: Estar sozinho :::
Tatiane Bernardi - Revista TPM
Uma reflexão sobre a solidão
Estar sozinho é engraçado, louco, angustiante, libertário e triste, tal qual estar com alguém.
No entanto, estar sozinho é absolutamente o oposto de estar com alguém.
Estar sozinho é fechar as mãos no nada quando se atravessa a rua correndo e não se tem uma mão para segurar.
É acordar sem saber o que será do dia porque planejar sozinho dá preguiça.
É falar a coisa mais engraçada do mundo para alguém que não vai rir, porque ninguém te entende tão bem.
É ficar louca sem cúmplice. Não tem graça ser fora da lei sozinho.
É querer contar tanta coisa para alguém, mas para quem?
A vida simplesmente acontece para quem está sozinho, às vezes sem que a gente perceba, pois é mais fácil ter noção de si mesmo através de outra pessoa.
Estar sozinho é fazer dengo sozinho na cama, sem ninguém para apenas encaminhar o ombro um pouco mais perto.
É comer doce demais porque sua boca precisa de um incentivo para continuar salivando vida.
É comer doce demais porque estar sozinho dá uma tremedeira estúpida de hipoglicemia.
É o doce que substitui mal e amargamente o sexo.
Estar sozinho é dormir até tarde no domingo. Não para congelar o tempo na alegria, mas para fazer de conta que o tempo não existe.
É conviver com a ansiedade de que você pode encontrar alguém especial a cada esquina, então você tenta ficar bonita. Mas seus olhos não mentem o cansaço da espera e a tristeza de estar solta, e você fica feia.
É ter a sensação de que ninguém te olha, pelo menos não como você gostaria de ser olhada.
Estar sozinha é estar solta e, no entanto, é estar amarrada ao chão porque nada te faz flutuar, sonhar, divagar.
Estar sozinho, ou estar sozinha, pode acontecer com qualquer um. E você torce para que aconteça com a sua melhor amiga, ou com aquele homem que você gostaria de experimentar como uma pílula para a sua solidão.
Estar sozinha é não suportar ouvir a palavra solidão porque ela faz sentido. E o sentido dela dói demais.
Estar sozinho é ter uma risada nervosa, de quem segura um grito e um choro enquanto ri. Um riso falso para se convencer de que é possível ficar sozinho sem ficar deprimido.
Estar sozinho é usar roupas provocantes sem se sentir sexy com elas. É conferir a caixa de e-mails com uma freqüência que beira a compulsão. É chorar do nada. É acordar do nada. É morrer de medo do nada que fica no estômago.
Estar sozinho é uma coisa física, ou melhor, é a falta dela. Você se sente oco por dentro, por isso aquele respiro profundo de lamentação.
É cogitar enlouquecer.
O ombro pesa porque é tenso ficar sozinho. E porque não tem ninguém pra te fazer massagem também.
Quando chove, venta, escurece, e você está sozinho, você lembra de Deus e do quanto é pequeno.
Estar sozinho é se aproximar de Deus por piedade própria e não por agradecimento, que é o que nos faz aproximar Dele quando estamos amando.
Estar sozinho é detestar ficar em casa. Ficar em casa sozinho, quando se está sozinho, é muita solidão.
Então você sai, só para não ficar em casa sozinho. E descobre o quanto você é sozinho. E volta pra casa sozinho, e chora vendo fotos.
Estar sozinho é implorar paixão e loucura com um olhar para o carro ao lado, segundos antes de você ver que ele não está sozinho.
É trabalhar para passar o tempo e só conseguir escrever títulos, roteiros, spots e textos chatos, sem inspiração.
É procurar um olhar pela rua e andar por aí com cara de louco.
É estar pronta para algo novo e não agüentar mais dias iguais.
É ocupar a vida de açúcar, intrigas, fofocas, encrencas. Aventuras tortas.
É ocupar a vida dos outros com reclamações, lamentações, dúvidas e carências.
Resumindo: estar sozinho é triste, enche o saco dos outros e deve fazer mal para a saúde.

sexta-feira, fevereiro 06, 2004

::: Cadê a tampa da minha panela, o chinelo do meu pé cansado, a metade da minha laranja? :::
Tatiane Bernardi - Revista TPM

Tá em ebulição, vazando, transbordando, e nada da tampa da panela pra socorrer a lambança. É culpa da pressão que eu ponho em tudo isso? É o que dizem: desencana que uma hora ele aparece.
O pé cansado já tentou calçar (à força) do chinelão que descola as tiras ao sapatinho de cristal. Nenhum serviu e o coitado tá todo esfolado.
Ninguém pra descascar, chupar ou fazer uma laranjada. Em compensação, laranjas na minha vida não faltam. E chega! Há anos peço o príncipe e só me mandam o cavalo.
Fim de ano sem amar é deprê, hein? Tô megera o suficiente pra ver uma família feliz no shopping e pensar que aquela instituição “image bank” não passa de uma união solitária de aparências. Tô megera o suficiente pra furar a fila do Papai Noel e pedir um pirulito, bem grande, bem grosso, bem exclusivamente apaixonado por mim.
Tô megera o suficiente pra abraçar os veadinhos do trenó em homenagem aos meus ex-casos. Tô megamegera o suficiente pra não admitir minha carência e dar uma risada debochada de todas as luzes, canções e emoções de boas-festas.
Tá, mas no especial do Roberto Carlos não vai dar pra ser megera. O filho da mãe sempre me faz chorar. É impressionante como a gente se sente sozinha na porra do especial do Roberto Carlos.
É claro que eu desejo o meu sucesso profissional, dinheiro, saúde, ..., mas nada de atacar para todos os lados nas simpatias deste réveillon. Não dá certo. Este ano vou focar no amor: calcinha vermelha, fitinhas vermelhas e as sete ondas vão ser puladas com a mão no coração (se eu usar a frente-única branca que comprei, é bom que a mão no coração já segura um peito) e uma só intenção: encontrar o danado.
Ah, sejamos sinceras mulheres modernas: no fundo, no fundo, a gente quer mesmo é alguém pra dormir protegida no peito (de preferência largo, forte e levemente cabeludo).
E nem é medo de ficar pra titia não, além de ter cara de mais nova e ser bem
nova, eu sou filha única. É vontade de sentir aquela coisinha misteriosa de “é esse!”. Como será sentir isso? Eu sempre sinto que “pode ser esse, ou talvez com algumas mudancinhas possa ser esse ou talvez se ele quisesse, poderia ser esse...”. Não, isso tá errado. Quero sentir que “é esse”.
Dizem que materializar os sonhos escrevendo ajuda, então lá vai: quero transar com beijo na boca profundo, olhos nos olhos, eu te amo e muita sacanagem, quero cineminha com encosto de ombro cheiroso, casar de branco, ser carregada no colo, filhos, casinha no campo com cerquinha branca, cachorro e caseiro bacana. Quero ouvir Chet Baker numa noite chuvosa e ter de um lado um livrinho na cabeceira da cama e do outro o homem que amo.
Quero sambão com churrasco e as famílias reunidas. Quero ter certeza, ali no fundo da alma dele, de que ele me ama. Quero que ele saia correndo quando meu peito amargurado precisar de riso. Que ele esqueça, de vez em quando, seu lado egoísta, e lembre do meu. Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz parte do amor. Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, et, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto brega na sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele (brincadeira...). Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre. Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjôos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina. Que a sua remela seja sequinha e não gosmenta e que o tempo leve um pouco de seu cabelo (adoro carecas...). Que suas escatologias não passem de piada e se materializem bem longe de mim. Tem que gostar de crianças, de cachorrinhos, da minha mãe, e tem que odiar ver pessoas procurando comida no lixo. Tem que dançar charmoso, ser irônico, ser calmo porém macho (ou seja, não explodir por nada mas também não calar por tudo). Tem que ser meio artista, mas também ter que saber cuidar dos meus problemas burocráticos. Tem que amar tudo o que eu escrevo e me olhar com aquela cara de “essa mulher é única”.
É mais ou menos isso. Achou muito? Claro que não precisa ser exatamente assim, tintim por tintim. Exigir demais pode fazer eu acabar sozinha em mais shows do Roberto Carlos. Deus me livre! Bom, analisando aqui, dá pra tirar umas coisinhas. Deixa eu ver... Resumindo então: tem que dizer que me ama e me amar mesmo, tem que rolar umas sacanagens e não pode ter remela gosmenta. Pronto!
E quando eu tiver tudo isso e uma menina boba e invejosa me olhar e pensar que “aquela instituição feliz não passa de uma união solitária de aparências” vou ter pena desse coração solitário que ainda não encontrou o verdadeiro amor.

terça-feira, fevereiro 03, 2004

::: Tudo na Vida Acaba :::
Antonio Caetano

Não chore. Tudo nesta vida acaba. Até o amor - que só parece eterno se a morte o interrompe. Também o amor, o verdadeiro amor, é uma espécie de solidão. Também o amor lembra a imagem que nos devolvem os espelhos: útil, minuciosa e muda, nela vemos o que quer ver nossa vaidade ou nossa melancolia.
Não chore nem se interrogue sobre as razões do outro para partir talvez quase sem explicação. Quando amamos, não nos ocorre perguntar porque amamos ou somos amados. Menos sentido ainda há em perguntar porque deixamos de amar ou de ser amados. Não, não haverá resposta.
A boa filosofia nos ensina que a causalidade, a generalização e a negação, instrumentos necessários quando se trata de fazer ciência, não existem como relação real neste mundo - onde imperam a liberdade, o acaso, a singularidade e o ser. É, portanto, inútil buscar causas ou tentar extrair da experiência passada alguma máxima consoladora que nos previna de dores futuras.
Não chore mais. Nos apegamos à dor - ou ao menos eu me apeguei a ela quando algo semelhante me ocorreu - porque talvez no fundo saibamos que a dor é ainda o último vestígio do amor que nos recusamos a perder. E dói dobrado saber intimamente que até esta dor passará e então não restará mais nada, a não ser talvez uma vaga e indiferente lembrança (como fotos esquecidas no fundo de uma gaveta).
Pare de chorar. Não seja injusta. Desejar que algo permaneça ou volte a ser o que era é desejar o impossível. A aceitação talvez seja a única coisa a se aprender nesta vida. Não, claro, a aceitação involuntária a que nos obriga a covardia, mas a aceitação que é fruto da generosidade. A vida é pródiga e exuberante. E a finitude o preço que pagamos por sermos únicos.
Se ele voltar, que esteja destinado a encontrar uma outra mulher a quem terá de aprender de novo a amar e a fazer-se amado - e não alguém que, castigada pela ausência, seria capaz de tudo para conservá-lo. Não faça isso: tamanha submissão se tornaria um vício que estragaria a alma dos dois.
Há um sol imenso lá fora. Aceite-o. Você é jovem e bonita e certamente outros homens espreitam. Vá. O sol, o mar, o vento, o galanteio e o olhar dos homens irão aos poucos devolvendo a você a alegria. O tempo fará o resto.
Mas, não esqueça: tudo acaba. É preciso estar ciente disso para fazer com que as coisas durem o quanto puderem durar. Esta a única eternidade possível nesta vida. A única, aliás, desejável.
::: Como se mede uma pessoa :::

William Shakespeare

Os tamanhos variam conforme o grau de desenvolvimento. Ela é grande pra você
quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito,
quando olha nos olhos e seu sorriso é destravado.

É pequena pra você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma
maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que
demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.

Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando
busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto.

É pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no
lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de
acordo com o que espera de si mesma.

Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês. Uma
mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um
relacionamento,pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: "será
ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições?"

Seguidas atitudes que magoam a outra pessoa pode diminuir o tamanho de um
amor que parecia ser grande.

Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser íntimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se
encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de
centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.


Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente se
torna mais uma.

O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande.

É a sua sensibilidade sem tamanho."
::: Piercing no nariz :::
Antonio Caetano

- O que você acha de eu colocar um piercing?
- O quê?
- Um piercing.. No nariz.
- No nariz?
- É... Mas não é um "loop" grandão. É só um "stud"azulzinho...
- Por falar nisso, como vão os estudos?
- Não muda de assunto... O que você acha?
- Não sei... Você quer?
- Não sei...
- No nariz?
- É...
- Mas no nariz onde?
- Como onde? Até parece que meu nariz é grande! Só pode ser aqui do lado. Um pontinho só...
- Sei...
Na verdade, eu não sei nada. Repito as respostas sob a forma de perguntas para ganhar tempo e preencher o silêncio que pesa muito mais numa conversa telefônica.
- Você acha bonito?
- Acho...
É, até acho bonito piercing. Só que ficou uma coisa comum demais, como as tatuagens. É quase sempre mero capricho, sem significado nenhum. Mas como explicar isso para uma menina de quinze anos? Nessa idade, tudo é urgente, necessário, imprescindível. E tudo parece meio errado do jeito que está. É como se fosse um absurdo a gente já não ter nascido com o nariz furado e precisasse corrigir a natureza.
Passa o tempo - e nem costuma ser muito - e a gente acaba se enjoando daquilo. E aí começa o problema: desfazer é sempre mais difícil do que fazer.
Por isso, sou um tanto cético em relação a novidades. Não se fazem escolhas definitivas aos quinze anos. Mas ser cético é uma forma de conservadorismo - palavra que, se é abominável aos 45 anos, o que dirá aos 15, quando para escapar dela, qualquer um seria capaz de atravessar uma flecha de uma bochecha a outra, ainda que isso limitasse o consumo de chicletes.
- Se eu fosse você, deixava seu nariz sossegado... Essas coisas são perfeitamente adiáveis...
- Você é um chato!
- Só não gosto de nada definitivo...
- Vai ver que foi por isso que você nunca casou!
- Vai ver, foi mesmo...
- Sabe de uma coisa? Acho você muito imaturo!
- Ainda bem que você me compreende...
::: It Must Have Been Love :::
Roxette

Lay a whisper on my pillow,
leave the winter on the ground.
I wake up lonely,
there's air of silence in the bedroom and all around.
Touch me now,
I close my eyes and dream away.

It must have been love but it's over now.
It must have been good but I lost it somehow.
It must have been love but it's over now.
From the moment we touched 'til the time had run out.
Make-believing we're together,
that I'm sheltered by your heart.
But in and outside I've turned to water like a teardrop in your palm.
And it's a hard winter's day, I dream away.
It must have been love but it's over now,
it was all that I wanted,
now I'm living without.
It must have been love but it's over now,
it's where the water flows, it's where the wind blows.

sexta-feira, janeiro 30, 2004

::: Da morte não sei o dia :::
Pedro Bandeira

Há o instante da chegada
E o momento de partida.
Quanta vida já vivi?
Quanta resta a ser vivida?

São dois espelhos quebrados,
Dois vezes sete de má sorte.
Já vivi quatorze anos,
quanto resta para a morte?

É fácil vê-la chegando
em cada instante que passe,
pois se começa a morrer
no momento em que se nasce.

Vou caminhando para a morte,
não decidi meu nascer.
Da morte não sei o dia,
Mas posso saber!
::: A Marca de uma Lágrima :::
Pedro Bandeira

A marca desta lágrima testemunha
que eu o amei perdidamente.
Em suas mãos depositei a minha vida
e me entreguei completamente.
Assinei com minhas lágrimas
cada verso que lhe dei,
como se fossem confetes
de um carnaval que não brinquei.
Mas a cabeça apaixonada delirou
foi farsante, vigarista, mascarada,
foi amante, entregando-lhe outra amada,
foi covarde que amando nunca amou!

quarta-feira, janeiro 28, 2004

::: Disease :::
Matchbox 20

Feels like you made a mistake
You made somebody's heart break
But now I have to let you go
I have to let you go

You left a stain
On every one of my good days
But I am stronger than you know
I have to let you go

No one's ever turned you over
No one's tried
To ever let you down,
Beautiful girl
Bless your heart

I got a disease
Deep inside me
Makes me feel uneasy baby
I can't live without you
Tell me what I am supposed to do about it
Keep your distance from it
Don't pay no attention to me
I got a disease

Feels like you're making a mess
You're hell on wheels in a black dress
You drove me to the fire
And left me there to burn

Every little thing you do is tragic
All my life, oh was magic
Beautiful girl
I can't breathe

I got a disease
Deep inside me
Makes me feel uneasy baby
I can't live without you
Tell me what I am supposed to do about it
Keep your distance from it
Don't pay no attention to me
I got a disease
I think that I'm sick
But leave me be while my world is coming down on me
You taste like honey, honey
Tell me can I be your honey
Be, be strong
Keep telling myself it that won't take long till
I'm free of my disease

Yeah well free of my disease
Free of my disease

I got a disease
Deep inside me
Makes me feel uneasy baby
I can't live without you
Tell me what I am supposed to do about it
Keep your distance from it
Don't pay no attention to me
I got a disease

I think that I'm sick
But leave me be while my world is coming down on me
You taste like honey, honey
Tell me can I be your honey
Be, be strong
Keep telling myself it that won't take long till
I'm free of my disease
Yeah well free of my disease
Free of my disease